Diretor irlandês duas vezes indicado ao Oscar participa da Mostra de Cinema Infantil nesta sexta (27)

Tomm Moore é um dos fundadores do estúdio responsável pelas animações “Uma Viagem ao Mundo das Fábulas” e “A Canção do Oceano”.

A Canção do Oceano (Song of Sea)

Um dos principais nomes da animação no mundo, o irlandês Tomm Moore é convidado da Mostra de Cinema Infantil e participa nesta sexta (27), às 19h, de uma conversa no Encontros do Cinema Infantil, agenda paralela do evento.

Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells)

Moore é um dos fundadores do Cartoon Saloon, estúdio sediado na Irlanda que assina Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells, no original em inglês) e A Canção do Oceano (Song of the Sea), obras aclamadas pela crítica e ambas nomeadas para o Oscar. O trabalho mais recente de Moore, Wolfwalkers, acabou de estrear em canais de streaming – e já é elogiadíssimo.

Em entrevista exclusiva para o NSC Total, o cineasta fala da importância dos mitos e das narrativas e convida à reflexão: quais histórias queremos perpetuar e ensinar para as próximas gerações?

Por que você se sente tão atraído pelo folclore e pela mitologia como temas das histórias que conta? Há muito simbolismo em seus filmes: como você os transforma em metáforas?

Acho que o folclore contém uma sabedoria que precisamos preservar e transmitir às próximas gerações. E os simbolismos são meio orgânicos: eles se encontram no processo de storyboard.

Para você, qual é o papel do mito em nossas vidas?

Vivemos em um mundo de contação de histórias e narrativas, mesmo que não tenhamos consciência. Yuval Noah Harari explica em seus livros que até nações, economias e empresas são histórias que contamos a nós mesmos. A questão é: quais histórias queremos apoiar e perpetuar? Como podemos imaginar um mito que nos tire da crise que todos vivemos hoje?

Uma Viagem ao Mundo das Fábulas é bastante audacioso na maneira como você contou a história por meio da animação. Como foi o processo, e quais desafios você enfrentou?

Foi meu primeiro longa-metragem, e aprendemos tudo ao longo do caminho: não apenas como contar a história e dirigir equipes em todo o mundo, mas como levantar fundos e lançar um filme de forma independente. Acho que foi a experiência formativa da minha carreira.

De onde surgiu a ideia de A Canção do Oceano?

Tudo começou com a descoberta de que os pescadores estavam matando focas: senti que tínhamos perdido nossa conexão com o mundo natural. O folclore foi nossa ponte para nos vermos como parte da biosfera, em vez de ver o mundo natural como algo que poderíamos consumir e explorar comercialmente. Precisamos lembrar a próxima geração da sabedoria de nos vermos como parte do mundo, não separados dele.

Em seus filmes, a dualidade surge frequentemente: por exemplo, selvageria x disciplina, natureza x civilização. Como você aborda esses assuntos?

Eu sinto que esses são os conflitos universais em todas as nossas vidas; eles ressaltam o drama de ser humano no mundo de hoje. Tento encontrar a humanidade e a emoção nesses temas e como eles afetam nossos personagens.

Você poderia nos contar um pouco sobre a gênese por trás dos Wolfwalkers?

Queríamos falar sobre a polarização que vemos na sociedade de hoje, e sobre a extinção de espécies, que estão acontecendo em uma escala sem precedentes. As ondas da colonização e as atitudes dos britânicos de 400 anos atrás continuam até hoje. Ainda é a visão de mundo subjacente que acredito que está matando nosso lar.

Como você se tornou um contador de histórias?

Fui membro do Young Irish Filmmakers quando adolescente: sabia que queria desenhar e contar histórias desde cedo, e estudei muito para isso.

A 19ª edição da Mostra de Cinema Infantil vai até sábado, dia 28 de novembro. Toda a programação é online e gratuita e pode ser acompanhada pelo site do evento.

Matéria originalmente publicada pela NSC Total

Um dos principais nomes da animação no mundo fala da importância dos mitos e das narrativas e convida à reflexão: quais histórias queremos perpetuar e ensinar para as próximas gerações?

O cineasta conta ainda sobre as produções: Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells, no original em inglês) e A Canção do Oceano (Song of the Sea), obras aclamadas pela crítica e ambas nomeadas para o Oscar. Além de comentar sobre o trabalho, Wolfwalkers, que acabou de estrear em canais de streaming – e já é elogiadíssimo.

Tomm Moore é convidado da Mostra de Cinema Infantil e participa nesta sexta do ‘Encontros do Cinema Infantil’, às 19h. 

Com tradução simultânea, o tema do bate-papo será ‘Das Lendas Ancestrais às Crianças de Hoje”. Não perca!


Publicado em 25 novembro 2020


Peça gráfica institucional, em fundo branco, reúne logotipos de apoiadores da Mostra. Em “Apoio cultural”: Lei Rouanet, ABRA — Associação Brasileira de Autores Roteiristas, Cinesolar, NICA e Prefeitura de Florianópolis — Educação. Em “Incentivadoras”: Urbano Alimentos, Celesc, Condor e ICBH — “Construindo para o futuro”. Em “Patrocínio”: ENGIE e Itaú. Em “Realização”: LUME Produções Culturais, Núcleo de Ação Integrada e Ministério da Cultura, acompanhado da bandeira do Brasil. Na base, lê-se: “Este projeto foi viabilizado por meio das Leis número dezessete mil novecentos e quarenta e dois, de doze de maio de dois mil e vinte, e número quinze mil setecentos e quarenta e seis, de onze de janeiro de dois mil e doze.”


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