Carta de Florianópolis


Produtores, diretores e distribuidores de audiovisual reivindicam que o governo federal repasse ao cinema infantil 20% dos investimentos públicos destinados à produção audiovisual. Um documento assinado por 50 profissionais de todo o país durante a 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis será encaminhado à ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presidente do Conselho Superior de Cinema (CSC). O CSC é um órgão da Casa Civil da Presidência da República que formula a política nacional do cinema. Leia a íntegra da carta.

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Ilustríssima Senhora Presidente do Conselho Superior de Cinema – CSC
Dilma Rousseff

Em 28 de junho de 2008 nós, produtores, distribuidores, programadores, gestores públicos e profissionais da indústria do audiovisual, estivemos reunidos na 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis durante o 4º Encontro do Cinema Infantil. Mais uma vez foram discutidas intensamente as dificuldades que fazem da produção de audiovisual infantil uma expressão ainda tímida frente à grande demanda de público constatada por pesquisas contratadas pelos programadores e distribuidores presentes ao evento.

Segundo levantamento do escritor e cineasta João Batista Melo dos Santos, entre 1952 (data do primeiro longa-metragem infantil brasileiro) e 2003 foram produzidos 74 longas para este público, número equivalente a aproximadamente 2% de toda cinematografia brasileira de longas-metragens.

Consensuamos que:

• A formação cultural das crianças brasileiras é influenciada essencialmente pelo conteúdo audiovisual estrangeiro;

• o audiovisual brasileiro destinado ao consumo infantil é estratégico para a formação de futuras platéias ao conteúdo nacional;

• iniciativas como o projeto de lei n. 185/8, em tramitação no Congresso Nacional, que dispõe sobre a exibição obrigatória de filmes de produção independente em escolas públicas do ensino fundamental, irão gerar uma demanda ainda maior por conteúdo infanto-juvenil;

• o produto audiovisual infantil representa uma fatia expressiva de consumo que não está sendo atendida e poderia movimentar a economia de toda a indústria audiovisual brasileira;

• as políticas públicas em implementação pelas diversas instâncias governamentais não contemplam um recorte definido que atenda satisfatoriamente essas questões.

Consideramos fundamental que o Conselho Superior de Cinema articule um amplo fórum de discussão com profissionais do setor audiovisual para debater a proposta de reserva de 20% do orçamento destinado ao fomento de conteúdo audiovisual brasileiro destinado ao público infanto- juvenil.

Desde já agradecemos e solicitamos o encaminhamento desta aos demais membros do CSC, deixando registrada essa unanimidade de interesses através das assinaturas que seguem.

Florianópolis, 28 de junho de 2008.

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