Incentivo à produção infantil

Nas próximas horas será conhecido o projeto vencedor do pitching realizado neste domingo, 29, na 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Trata-se de um processo seletivo em que os participantes defendem seus filmes em apresentação oral para uma banca e o público presente.

A comissão de seleçao foi formada por Helder Dacosta, da Tropicalstorm, Annette Brejner, diretora do Fórum de Financiamento do BUFF FilmFestival, e Lennart Ström, produtor sueco, com Carla Esmeralda, diretora do Festival Internacional de Cinema Infantil do RJ, como mediadora. As defesas ocorreram pela manhã e as entrevistas individuais à tarde. Dos 20 projetos de longas-metragens inscritos na Mostra, sete foram pré-selecionados para o pitching. O vencedor participará de um fórum de financiamento ao cinema infantil em março de 2009 em Malmö, na Suécia.

O representante do projeto Quem tem medo de fantasma?, Julio Uchôa, o definiu como um filme que “gela o sangue e aquece o coração”. Com cerca de 70% do orçamento garantidos, será rodado em Araxá, Minas Gerais. Aventura, humor e mistério permeiam a história, que terá metade do elenco – os fantasmas – construída com efeitos especiais. Perguntado por Lennart Ström, membro da banca do pitching, sobre o que se aprende com o filme, Uchôa respondeu que o foco central é a valorização da amizade e da família. A Ananã Produções está à frente do projeto.

“Foi bom ter sido escutada com respeito por pessoas sensíveis e inteligentes”, comentou Jane Malaquias, que defendeu Restos de Deus Entre os Dentes, co-produção pernambucano-cearense (Set Produções) sobre três meninas que estão prestes a fazer a primeira comunhão. Ela avalia que o pitching é muito importante por dar visibilidade ao cinema infantil brasileiro: “Temos um grande terreno a ser explorado no que diz respeito à produção”. O filme é uma comédia dramática sobre a aceitação das diferenças e a importância de as pessoas encontrarem seu lugar no mundo. É orçado em 600 mil dólares e terá locações nos municípios de Barbalha, Crato e Juazeiro, no Ceará.

“O pitching é um catalisador para que os cineastas ganhem experiência e comecem a produzir em Florianópolis, cidade com um enorme potencial desperdiçado”, disse o produtor Ralf Tambke, que defendeu o projeto Tainá – o desenho animado, da Sincrocine. “Santa Catarina é um estado cinematográfico, com diversidade de elenco, locações e boa infra-estrutura. Falta estrutura técnica de cinema, mas isso só vai surgir quando houver demanda. A massa crítica já existe”. Para Tambke, o pitching é o modelo mais democrático para selecionar projetos, porque é possível apresentar um subtexto que não cabe no papel.

Os representantes do projeto Eu e Meu Guarda-Chuva, Toni Vanzolini e Luiz Noronha, da Conspiração Filmes, apresentaram-no como a jornada de um menino quase adolescente para resgatar, dentro de um sonho, a menina de quem ele gosta e que havia sido raptada por um barão. O projeto é uma combinação de aventura, musical e thriller, inspirado em uma ópera-rock produzida para crianças. Estão previstos três dias de filmagem na Europa, em uma cidade que o menino visita em seu sonho. Perguntado pela banca sobre os valores transmitidos pelo filme, Vanzolini disse que são: acreditar nos sonhos e enfrentar os medos.

As Aventuras do Avião Vermelho, projeto do Armazém de Imagens, foi defendido por Camila Gonzatto e Frederico Pinto. Será um longa de animação focado na faixa etária de sete a 11 anos, cujo roteiro foi adaptado de um clássico infantil escrito em 1936 pelo escritor Érico Veríssimo. “É mais que uma aventura, é um filme de personagens”, disse Frederico Pinto. Ele contou que recebeu muitas sugestões de estudantes que leram o livro. A essência da história é a relação entre pai e filho, que mostra a criança como agente da mudança através da própria imaginação. Mais da metade dos recursos previstos no orçamento já estão captados e a produção começa em setembro.

História Antes de Uma História, projeto do Núcleo de Animação de Campinas (SP), foi defendido por Wilson Lazaretti. O longa conta a história de um desenhista velhinho que não deseja morrer na imensidão branca, por isso cria para sobreviver. Lazaretti apresentou um trecho do filme, que está sendo produzido por uma equipe de 11 animadores. “A animação é bastante simples: há uma narração que é mais o pé no chão e cantigas que representam o etéreo”, disse. “Tem também alusão a alguns ícones super conhecidos do cinema e menções a Fellini, Gabriel Gárcia Marquéz, Oscar Niemeyer, Janusz Korczak e Santos Dumont”. O projeto foi elogiado pelos membros da banca e o diretor recebeu a sugestão de exibi-lo em televisão, meio mais adequado ao ritmo do filme.

Bisa Bia Bisa Bel foi defendido por Luana de Almeida, da Diler & Associados. O projeto é uma adaptação do premiado livro homônimo da escritora Ana Maria Machado. “É um longa-metragem de realismo fantástico onde passado, presente e futuro se misturam na comunicação entre uma menina e sua bisavó, que ela não chegou a conhecer”, disse Luana à banca. O filme será dirigido pelo cineasta Zelito Viana e tem previsão de lançamento em 27 de junho de 2009.

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Fotos: Cleide de Oliveira



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