20 anos de cinema para crianças

A diretora e idealizadora da Mostra de Cinema Infantil Luiza  Lins fala sobre a trajetória do festival e sobre início de um novo ciclo


Luiza Lins, diretora e idealizadora da Mostra de Cinema Infantil

A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis completa 20 anos de trajetória em 2021 com muito para celebrar: foram significativos os avanços na produção de audiovisual brasileiro e nas políticas públicas para o setor nas últimas duas décadas. 

A frente do festival – uma das principais janelas de exibição de cinema para crianças reconhecido nacional e internacionalmente – está Luiza Lins, que criou a Mostra de Cinema Infantil em 2002, depois o Circuito de Cinema Infantil em 2012 (esse voltado exclusivamente para educadores) e, mais tarde, o Cineclube da Mostra em 2016. Todas as iniciativas têm como objetivo levar arte gratuita para crianças. 

Uma criança que vê na tela a cinematografia do seu país e do mundo cresce com mais  noção de cidadania, pertencimento e com mais noção de que o mundo é enorme e cheio de diferenças.

Em 19 edições, estima-se que a Mostra tenha levado cinema e alegrias para mais de mais de 1 milhão crianças de todas as idades e contextos sociais e exibido cerca de 1.200 filmes, entre curtas-metragens e longas-metragens que refletem a diversidade cultural brasileira e do mundo

Neste ano, a Mostra será realizada entre 16 e 31 de outubro, online e gratuita. Conheça a programação.

Confira a entrevista com Luiza Lins

Em sua vigésima edição, a Mostra terá 140 filmes de várias partes do mundo, mas na primeira edição foram exibidos poucos filmes. Qual a contribuição da Mostra para o crescimento da produção audiovisual no país?

Luiza Lins: Para realizar este evento que tanto amamos precisamos desde a primeira edição chamar a atenção para a importância de se produzir para este público. Realizamos vários encontros com toda a cadeia do audiovisual brasileiro, convidamos para participar de conversas sobre cinema para a infância vários secretários do audiovisual, Ministros de Cultura, presidente da Agência Nacional do Cinema – ANCINE, entre outras pessoas importantes neste cenário. 

Nos unimos a vários grupos nacionais para pleitear políticas públicas para o setor, como o Grupo Nacional de Cultura Infância; fizemos parcerias nacionais e internacionais para alavancar a produção, bem como parcerias com TVs públicas e particulares para dar prêmios em dinheiro e com isso estimular o setor a produzir. Cobramos do Governo Federal um programa exclusivo para o audiovisual para a infância, cobramos e organizamos a criação de um grupo para estudar a regulamentação da Lei 13006, que prevê  a exibição de filmes de produção nacional nas escolas por no mínimo duas horas mensais.

Estimulamos a produção local, produzindo nossos próprios filmes e fazendo lançamentos com bate-papos na Mostra. Organizamos oficinas de cinema para crianças, realizadores e professores. Criamos o Circuito de Cinema Infantil para democratizar o acesso aos filmes, fizemos parceria com a Programadora Brasil para que os filmes inscritos na Mostra fossem exibidos em todo o país, entre outras ações.

Isso tudo reverberou no aumento da quantidade e na qualidade dos filmes inscritos na Mostra. Na primeira edição eram oito filmes. Hoje são 137 selecionados para a Mostra Competitiva e três filmes convidados.

A Mostra é pioneira em apoiar o cinema brasileiro. De que forma isso acontecerá nesta edição? 

Luiza Lins: Neste ano, vamos lançar o longa-metragem Tarsilinha. De certa forma é um ciclo que fechamos. Acompanhamos a trajetória do filme e, inclusive, ele participou do Fórum de Financianto europeu a partir de um pitching da Mostra. É o tipo de filme que incentivamos e queremos que as crianças assistam, que fala da nossa história e cultura e mostra como a arte brasileira é maravilhosa, como somos um país gigante e diverso.

E nesta edição comemorativa vamos retomar o Mercado, com uma programação de três dias voltados para realizadores e players do mercado. Isso porque o audiovisual está cada vez mais forte nos últimos anos e precisamos nos organizar enquanto mercado. É uma indústria que precisa ser incentivada, porque é necessário a afirmação do audiovisual brasileiro nesse novo cenário. 

E ainda: vamos realizar uma Oficina de Produção de Novos Festivais para incentivar novos eventos e apoiar a consolidação das recentes iniciativas. Os festivais trazem muita informação e muita riqueza. E quando acontecem numa cidade deixam legados. Além disso, os filmes que não são oferecidos normalmente pelo mercado, sempre têm espaço nos festivais. 

Quais considera serem os desafios do audiovisual brasileiro para a infância?

Luiza Lins: Durante esses 20 anos foi necessário chamar a atenção para a importância deste segmento, mostrar a necessidade de políticas públicas para o setor. Não só como formador para o futuro, mas também por ser direito da criança viver essa experiência: uma criança não pode ser privada de ver a sua cultura na tela. 

Batemos muito nesta mesma tecla e conseguimos avançar, mas ainda pouco. E agora estamos em um momento estagnado de políticas culturais como um todo, mas acredito que vai passar e vamos retomar novamente este movimento. E não mais sairemos do zero. Plantamos muitas sementes.

Como a Mostra irá colaborar com o avanço do cinema para crianças daqui para frente? 

Luiza Lins: Continuar realizando a Mostra anualmente é a nossa maneira de colaborar com o avanço do cinema para este público, mas, claro, continuamos batalhando pela Lei 130006 para levar o cinema brasileiro para as salas de aula.

Queremos impulsionar ainda mais o Circuito de Cinema Infantil, voltado para educadores, que se tornou nacional. A partir dele, democratizamos o acesso ao acervo de filmes da Mostra e levamos cinema brasileiro para o maior número possível de crianças de Santa Catarina e do Brasil. Acontece desde 2011, com debates, oficinas de audiovisual para contextos educativos e exibição e distribuição de filmes em plataforma on-line e DVDs.

E ano que vem devemos retomar as atividades do Cineclube da Mostra –  todos os sábados, no cinema do CIC – gratuito!

Quais os momentos inesquecíveis das Mostras ao longo desses para você?

Luiza Lins: São tantos! 

Ver crianças crescendo na Mostra anualmente. 

Ver estas mesmas crianças que cresceram trazendo seus irmãos menores ou filhos. 

Ver a sala cheia de crianças cantando e batendo palmas. 

Ver a alegria e o brilho dos olhos das crianças em verem crianças parecidas com elas na tela grande. 

Escutar um óóóhhh quando a luz se apaga e segundos antes da tela projetar o início do filme..

Todas as crianças têm direito à cultura e à arte. Está na Constituição brasileira.

Texto: Letícia Kapper

Conheça a programação da 20ª Mostra

Conheça os filmes da 20ª Mostra



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