Um estoniano na Ilha

Janno Põldma acaba de vir de Tallinn, capital da Estônia, ex-república soviética, a 11748 quilômetros de Florianópolis.

Tallinn, cidade com um lindo e labiríntico centro histórico murado, exalta seu passado medieval com pontos como uma taverna, Olde Hansa, que produz cervejas e comidas nos moldes da Idade Média antes de servi-las aos clientes sob teto baixo, praticamente no breu.

Não só em Tallinn, mas em toda a Estônia e em alguns outros países europeus, Põldma é famoso por Lotte, animação que criou ao lado de Heiki Ernits e que tem o terceiro filme da série, Lotte e o segredo da pedra da lua, exibido este ano na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

O filme acumulou dez prêmios internacionais ao passar por festivais da Letônia, Noruega, Finlândia, Índia, Turquia, Alemanha, EUA e outros países recentemente. Na Estônia, Lotte é uma personagem tão celebrada que estampará todo o espaço de um dos portões do Tallinn Airport. Também aparece no Lotte Bus, que possui TVs exibindo a animação e circula por linhas regulares, uma diferente a cada dia.

Tallinn é justamente a capital europeia conhecida por oferecer aos seus habitantes, desde 2012, tarifa gratuita em ônibus e trens de superfície. “É uma medida política”, diz Põldma, um usuário de transporte público contente e ressabiado: “Teremos eleição em breve.”

Ele é um homem de 62 anos sério sem nunca parecer sisudo. Acaba de voltar de um périplo por Lagoa da Conceição, Barra da Lagoa e Praia Mole em uma sexta-feira com todas as horas possíveis de sol. “Lotte não é feito especialmente para crianças desta ou daquela idade. É um filme para adultos e para crianças que se sintam convidadas a este universo”, afirma Põldma à reportagem da mostra no lobby do hotel.

Os princípios de Lotte não estavam claros no início, conta, mas depois se cristalizaram para ele e Ernits. Em primeiro lugar, nenhuma violência. Depois, personagens interessantes e ênfase no apoio familiar. Além disso, nas suas histórias Lotte lembra que as coisas são possíveis para quem realmente as quer, e também que todos têm originalidades, bastando procurá-las. Nesse sentido, um ponto alto de Lotte é a capacidade das pessoas de inventarem o que precisam, criando, por exemplo, um rádio apenas com utensílios de cozinha.

Outra característica da animação é sua valorização da natureza e da capacidade de brincar em meio a ela. A reportagem pergunta o quanto o fato de a Estônia ser um país verde, repleto de parques nacionais, influi nisso. “Obviamente nossa memória de infância contribui muito para a criação visual”, diz, contando gostar do isolamento no interior. “De qualquer maneira, inventamos muitas coisas”, pondera, acrescentando que Heiki Ernits inclui no filme muitas pequenas coisas para descobrir, “detalhes percebidos por quem assiste ao filme de novo”.

Põldma está ansioso para ver o filme no meio das crianças brasileiras. “Crianças são uma audiência muito honesta”, diz o diretor, que após as sessões sempre conversa o público e fará isso também amanhã em Florianópolis.

A personagem Lotte também está em musicais e livros. Atualmente, Janno e Heiki trabalham em um livro lúdico de alfabetização para crianças, a sair por uma grande editora. Outro trabalho é o quarto filme da série. “Geralmente nos reuníamos [ele e Heiki] três vezes para decidir sobre o filme. Desta vez foi difícil, nos reunimos dez”, conta, dizendo buscar algo diferente. Por enquanto, só adianta que o filme falará das origens da família de Lotte. O script deve ficar pronto no final do ano, e a produção deve ser iniciada no ano que vem.

Programe-se

O que: exibição de Lotte e o segredo da pedra da lua

Quando: domingo, 7 de julho, às 16h

Onde: Teatro Governador Pedro Ivo

 



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