Políticas culturais em debate


A 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis promove nesta sexta, 11 de julho, o 2º Fórum de Políticas Culturais voltadas para a Infância. Especialistas em várias áreas de atuação vão debater a apropriação das mídias pelas crianças, a democratização e o uso do audiovisual nas escolas, proposto em projeto de lei pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Há pouco mais de um mês o senador apresentou um PL que obriga escolas da rede pública a utilizar produções brasileiras em sala de aula.

Para discutir esse e outros temas do universo das boas iniciativas foram convidados Âmbar de Barros, diretora do Núcleo Infanto-Juvenil da TV Cultura (SP), Alemberg Quindins, da Fundação Casa Grande (CE), Ilona Hertel, do Serviço Social do Comércio (Sesc/SP), Solange Lima, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e Padre Vilson Groh, que atua com inclusão social de crianças e adolescentes na capital catarinense.

A Fundação Casa Grande, localizada em Nova Olinda, no Ceará, realiza há 15 anos um trabalho de estímulo ao protagonismo infantil e juvenil em gestão cultural. Nos laboratórios de comunicação, as crianças produzem seus próprios programas de tevê e rádio, peças teatrais e livros. “Elas abordam temas como a diversidade cultural nordestina, o folclore local, as experiências das pessoas comuns e as peculiaridades do sertão”, diz o criador da iniciativa, Alemberg Quindins. O trabalho da Fundação é reconhecido internacionalmente e já foi replicado na África e Europa.

Âmbar de Barros, da TV Cultura, quer aprofundar o debate sobre o financiamento da produção audiovisual de qualidade voltada para o público infantil. Ela pretende construir uma parceria entre a emissora e a Mostra de Cinema Infantil para exibir filmes a um público mais amplo: “A maioria da população brasileira assiste tevê em canais abertos, onde a programação nacional para crianças é pífia e o conteúdo, voltado ao consumismo, à relação desigual entre gêneros. Nesse panorama a tevê pública ganha importância enorme. Buscamos parceiros que tenham a mesma preocupação com a identidade cultural brasileira”, afirma.

“Quero propor uma discussão sem medo sobre soluções criativas para distribuir a produção brasileira de cinema às crianças”, diz Solange Lima, que é membro do CNPC e preside a ABD Nacional (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas). Solange sugere que o governo, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), invista mais na divulgação do cinema brasileiro na mídia. Ela acredita que a internet é o caminho para fazer com que os filmes infantis nacionais cheguem a mais crianças, em especial nos municípios onde não há salas de exibição.

A pedagoga Ilona Hertel, assistente de programas socioeducativos do Sesc/SP, traz para o Fórum a experiência da entidade na organização de grandes parques lúdicos em todas as 31 unidades no estado de São Paulo. “Nosso pressuposto é que esses espaços comunitários promovam a construção da autonomia e do conhecimento das crianças por meio da brincadeira, a linguagem essencial da infância”, explica. “O cinema, a literatura e o teatro precisam levar em conta que as crianças são capazes de entender o mundo, refletir e agir. São seres pensantes, inteligentes, mesmo que não dominem a linguagem verbal”.

O Padre Vilson Groh vai compartilhar sua vivência como articulador de cinco projetos voltados para a inserção social e cultural de mil crianças entre seis e 15 anos, nas comunidades Mont Serrat, Mocotó, Monte Cristo e Alto da Caieira, em Florianópolis. “Precisamos recuperar o direito à beleza da infância”, diz o religioso, para quem crianças e adolescentes ainda não são prioridade do ponto de vista das políticas estatais. O trabalho social com as crianças envolve oficinas de arte, aprendizado de informática e releitura de obras de arte, entre outras atividades.

Um documento assinado por 40 profissionais de todo o país durante os debates da 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis será entregue à ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presidente do Conselho Superior de Cinema (CSC). Produtores, diretores e distribuidores solicitam que o governo federal repasse ao cinema infantil 20% dos investimentos públicos destinados ao mercado audiovisual. O CSC é um órgão da estrutura básica da Casa Civil da Presidência da República, ao qual compete formular a política nacional do cinema, aprovar diretrizes para o desenvolvimento sustentável da indústria cinematográfica e dar forma ao Fundo do Audiovisual.

Evento: 2º Fórum de Políticas Culturais voltadas para a Infância
Data e hora: sexta-feira, 11 de julho, a partir das 9h
Local: Centro Integrado de Cultura (CIC)

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