Mais de 2,5 mil pessoas prestigiam a 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis no primeiro fim de semana

O segundo dia da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, neste domingo (11), contou com uma programação especial que reuniu curtas e longas-metragens nacionais e internacionais, com destaque para os filmes de animação, além de oficinas para as crianças. No total, mais de 2500 pessoas passaram pelo Festival neste fim de semana. 

A manhã começou com a Sessão Curtas Internacionais, voltada para o público a partir de 4 anos, e continuou a tarde com o longa “Eu e meu avô Nihonjin”, dirigido por Célia Catunda.  A obra acompanha um garoto que precisa resgatar a história da própria família para um trabalho escolar. A partir de conversas com seu avô ranzinza, ele descobre as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes japoneses no Brasil e passa a valorizar suas origens e cria uma nova relação com o avô.


Bate-papo com Celia Catunda, realizadora do longa “Eu e meu avô Nihonjin” e Luiza Lins, diretora da Mostra. (Foto: Carolina Arruda)

Reconhecida por sucessos como “Peixonauta”, “O Show da Luna!” e “Gemini 8”, Célia Catunda defende que subestimar a capacidade de compreensão das crianças é um erro. Por isso, não hesitou em adaptar o sensível romance “Nihonjin”, de Oscar Nakasato, para o público infantojuvenil. “Quando eu li o livro, eu achei interessante transformar em animação do ponto de vista da criança”, explicou Célia.

A animação ganha ainda mais beleza visual ao incorporar traços inspirados nas obras do artista plástico nipo-brasileiro Oscar Oiwa. O longa foi exibido no Japão e a trilha sonora e o roteiro foram premiados em um Festival na Itália. “No Japão, a imprensa local destacou a questão da xenofobia ao afirmar que um dia os próprios japoneses já foram imigrantes”, contou a realizadora.


Marcelo Hayashide e a família foram assistir pela 3ª vez o filme “Eu e meu avô Nihonjin, de Celia Catunda. (Foto: Carolina Arruda)

Entre os espectadores estava a família do Marcelo Hayashide que é descendente de japonês. Eles fizeram questão de ir à Mostra para assistir ao filme pela terceira vez. “Esse filme pra mim é muito interessante porque minha família percorreu o mesmo caminho do avô do Noburo. Vieram de navio do Japão, foram para São Paulo e depois para o interior do Paraná. E ainda traz a questão do racismo amarelo. Até hoje se referem a mim como Japa, mas meu nome é Marcelo”, ressaltou.

Curtas trazem riqueza de temas para as telas


Maria Valentina e Sophia, atrizes de Marolha e Periaguá

A programação de domingo ainda teve mais uma sessão de curtas-metragens nacionais, que contou com a estreia de duas produções catarinenses: Kagpó-Jó, a origem, de Jucelino Senei Filho, e Marolha e Periaguá, de Maria Augusta Vilalba Nunes.

Jucelino buscou em suas origens a inspiração para contar, em formato de animação, a história do surgimento do primeiro povo da Terra. O curta-metragem entrelaça visões de mundo dos povos Laklãnõ-Xokleng, ao qual o diretor pertence, Macuxi e Taurepang e teve recepção calorosa da plateia.

Segunda produção infantojuvenil dirigida por Maria Augusta, “Marolha e Periaguá” vai no universo do artista de Florianópolis Franklin Cascaes, para contar a história de uma boitatarina, uma guardiã da natureza. A diretora contou que gosta de criar para esse público especialmente por conseguir colocar inquietações políticas. No caso dessa produção, a preservação do meio ambiente, que ela descobriu que Cascaes também tinha ao criar a personagem folclórica. 


Sophia Leiria Machado, 11, que vive Periaguá no curta Marolha e Periaguá, a diretora da Mostra, Luiza Lins, e a diretora do curta “Dança Invisível, Marina Kerber, no bate-papo após a Sessão de Curtas Brasileiros (Foto: Carolina Arruda)

O bate-papo após a exibição dos curtas contou com a presença da diretora Monica Palazzo, do sensível filme Theo, ambientado na Copa do Mundo de 1986, e de Marina Kerber, diretora de Dança Invisível, divertida animação com uma jovem, os talheres e as frutas de sua casa, e ainda das atrizes Maria Valentina Tomas Barbosa, 11, e Sophia Leiria Machado, que vivem as personagens folclóricas boitatarinas do curta Marolha e Periaguá.  

O cinema vira aula

A tarde de domingo terminou com a exibição do longa-metragem Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, de Brenda Lígia e Edu Felistoque. A animação emociona ao narrar a história de um jovem africano de uma genialidade sem limites, que inventa a câmera fotográfica e ainda se engaja na luta pela libertação de pessoas escravizadas. O filme despertou intensa discussão entre as crianças e também adultos no bate-papo após a sessão com a diretora Brenda Lígia e a diretora geral da Mostra de Cinema Infantil, Luiza Lins.

Um deles foi sobre o apagamento histórico de inventores negros na história mundial e também brasileira. Brenda destacou o poder do cinema em resgatar essas narrativas: “Nossa história é inventada, por isso usamos o termo hipotético no título, mas o contexto histórico aconteceu e, infelizmente, ainda acontece”, explicou.


Bruno Miguel e a diretora Brenda Lígia, de Amadeo e o Hipotético Mundo Novo. (Foto: Carolina Arruda)

Encantado com as sessões da tarde do domingo na Mostra Infantil, Bruno Miguel de Souza Santana,  8, fez questão de aguardar para tirar uma foto com a cineasta. Na fila, contou empolgado como tinha aproveitado a tarde de cinema e comentou sobre os filmes. Inteligente, ainda relacionou os dois longas Eu e meu avô Nihonjin e Amadeo e o Hipotético Mundo Novo exibidos na tarde: ‘Os dois têm um passado difícil’, observou com maturidade os desafios da imigração e as marcas da escravidão, captando, também de forma espontânea, a essência da curadoria da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. 

Filmes do final de semana emocionou adultos


Brenda Lígia ao centro, com Laura e Fernanda Parintintin (à esq.) e Honoré Anambé (à dir.) (Foto: Carolina Arruda)

Honoré Anambé observou na conversa como a diretora inseriu na trama de forma sensível outras representações, como também de indígenas, outros povos e outras religiões. Paraense do povo Anambé, ela foi à Mostra de Cinema Infantil com a prima e tia Fernanda e Laura Parintintin, do povo Parintintin, para a estreia do curta do diretor Jucelino Senei Filho, que estava na sessão anterior, e ficaram para assistir ao longa. 

“A gente sempre cuidou para que as crianças e também jovens se vissem nas telas e que possam saber de histórias e realidades que não teriam conhecimento se não fosse por meio do cinema”, explicou Luiza Lins, no bate-papo, sobre o cuidado da escolha dos filmes como maneira de ampliar o olhar e o trabalho da formação de plateia infantojuvenil, objetivos do festival desde que foi criado há 25 edições.  


Rafael Tomazoni com a mulher, Kassia Linck, os filhos Pedro, 4, e Olívia, 8, e a amiga Laura, 8. (Foto: Carolina Arruda)

O público de adultos também se forma durante a Mostra, que também tem a possibilidade de compreender o universo infantil por meio do audiovisual. Foi o caso de Rafael Tomazoni, que esteve no evento com a mulher, Kassia Linck, os filhos Pedro, 4, e Olívia, 8, e a amiga Laura, 8. Ele contou ter se emocionado nos filmes O diário de Pilar na Amazônia, exibido no sábado, como Eu e meu avô Nihonjin, da sessão de domingo: “Chorei muito mais que meus filhos”. 

Oficina para crianças


Crianças brincam com a câmera escura que desenvolveram na oficina da 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. (Foto: Carolina Arruda)

Durante o dia, cerca de 70 crianças participaram de oficinas de fotografia e de Cinema & Moda, ministradas pelas professoras Ally Collaço e Micheli Hoffmann. Na parte da manhã, aprenderam a construir uma câmera escura e observar imagens que se formam magicamente dentro das latinhas.

Na parte da tarde, os alunos montaram personagens de cinema a partir dos figurinos e criaram um figurino personalizado de personagem, com croqui e modelagem 2D.

Ally Collaço ministra oficinas na Mostra desde 2014 e pesquisa as manualidades como um caminho para desacelerar a imersão midiática. Nas atividades, busca mostrar que o cinema vai muito ‘além do play’ e procura demonstrar como é um processo contínuo no qual o fazer manual está diretamente ligado à criação audiovisual. Além disso, enquanto aprendem etapas do audiovisual, também lidam com questões como a execução de tarefas, o trabalho em equipe e as frustrações, entre outras.

Mostra de Cinema Infantil segue até 17 de outubro no CIC

A Mostra de Cinema Infantil vai até o dia 17 de outubro no Centro Integrado de Cultura (CIC), reunindo 137 filmes nacionais e internacionais entre o Teatro Ademir Rosa e a Sala Gilberto Gerlach.

Nesta segunda-feira (12), uma programação especial celebra o Dia das Crianças a partir das 11h, com a Sessão Curtas Brasileiros (4+), seguida pela Sessão Curtas Internacionais às 14h. Às 15h, o destaque é a animação franco-belga A Pequena Amélie (8+), que retrata a descoberta do mundo por uma garota belga nascida no Japão. Encerrando o dia, às 17h, o longa nacional Joãozinho – O Filme traz a história de um aluno rebelde cuja escola pública é selecionada para um famoso programa de perguntas e respostas.

A 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis é realizada pelo Ministério da Cultura, Lume Produções Culturais e Núcleo de Ação Integrada por meio da Lei Rouanet e viabilizada por meio das leis n. 17.942, de 12 de maio de 2020, e n. 15.746, de 11 de janeiro de 2012. As empresas patrocinadoras são Engie e Itaú, e as incentivadoras são Urbano Alimentos, Celesc, Condor e Instituto Carlos Roberto Hansen (ICRH).


Publicado em 12 outubro 2026


Peça gráfica institucional, em fundo branco, reúne logotipos de apoiadores da Mostra. Em “Apoio cultural”: Lei Rouanet, ABRA — Associação Brasileira de Autores Roteiristas, Cinesolar, NICA e Prefeitura de Florianópolis — Educação. Em “Incentivadoras”: Urbano Alimentos, Celesc, Condor e ICBH — “Construindo para o futuro”. Em “Patrocínio”: ENGIE e Itaú. Em “Realização”: LUME Produções Culturais, Núcleo de Ação Integrada e Ministério da Cultura, acompanhado da bandeira do Brasil. Na base, lê-se: “Este projeto foi viabilizado por meio das Leis número dezessete mil novecentos e quarenta e dois, de doze de maio de dois mil e vinte, e número quinze mil setecentos e quarenta e seis, de onze de janeiro de dois mil e doze.”


Mostra de Cinema Infantil
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