
Público aguarda a exibição de “A fabulosa máquina do tempo”, na abertura da Mostra. Fotos Carolina Arruda
A 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis abriu sua programação na sexta-feira (9), no Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC), com a exibição do documentário “A fabulosa máquina do tempo”, de Eliza Capai. A produção acompanha meninas do sertão do Piauí que, entre brincadeiras e fabulações, revisitam as histórias de suas mães e avós e projetam o próprio futuro. A sessão emocionou a plateia, formada por educadores, realizadores e público adulto, e deu o tom da edição comemorativa, que exibirá 137 filmes até 17 de outubro.
A abertura também marcou a inauguração da exposição comemorativa dos 25 anos da Mostra. A retrospectiva resgata os principais momentos da trajetória e apresenta números que dimensionam o alcance do evento, como o fato que já recebeu mais de um milhão de espectadores e exibiu mais de 1700 filmes, entre curtas e longas nacionais e internacionais. Painéis fotográficos registram encontros com diretores, produtores culturais e realizadores brasileiros e estrangeiros, além de momentos de interação com o público infantojuvenil. A exposição reúne ainda vídeos, vinhetas, cartazes, bastidores de edições anteriores e registros do projeto Mostra nas Escolas.

Exposição faz uma retrospectiva dos 25 anos da mostra
Outro destaque foi o lançamento do vídeo “Sonhos, desejos e esperanças de crianças do Brasil”. A produção reúne respostas de 200 crianças de diferentes regiões do país sobre esses temas, a partir de um trabalho desenvolvido pelo coletivo de professores do Núcleo de Infância, Comunicação, Cultura e Arte (NICA/UFSC).
Na cerimônia de abertura, Waleska de Franceschi, gerente de Gestão Educacional de Florianópolis, recebeu o prêmio Amigos do Cinema Infantil, concedido a pessoas que contribuem para o desenvolvimento e a difusão do cinema para crianças e jovens. A homenagem reconhece sua atuação na parceria de 25 anos entre a Mostra e as escolas municipais.

Sessão para educadores na abertura da 25ª Mostra de Cinema Infantil
Encontros com grandes nomes do cinema
A presença de realizadores e profissionais da cultura já na abertura antecipou outra característica da Mostra: aproximar o público infantil e juvenil de importantes nomes do cinema brasileiro para crianças, criando oportunidades para conhecer os bastidores das obras e conversar diretamente com quem as realiza. Entre os convidados que já marcaram presença na plateia na primeira sessão estão a escritora e roteirista Flávia Lins e Silva, a diretora Célia Catunda, o diretor Fáuston da Silva, além do roteirista e montador, Daniel Grinspum, que representou o filme “A fabulosa máquina do tempo”. Ao longo da programação, esses encontros ampliam a experiência das sessões e convidam crianças, jovens e adultos a trocar ideias com diretores e realizadores.

Daniel Grinspum, de ” A fabulosa máquina do tempo”, no bate-papo após a sessão, ao lado da pesquisadora em Cultura e Infância Isabela Silveira, com mediação da curadora Gilka Girardello
“Esse filme não poderia ter melhor plateia, porque é uma ode à educação”, comentou Grinspum após a exibição de “A fabulosa máquina do tempo”. No bate-papo com a participação da pesquisadora em Cultura e Infância Isabela Silveira e mediação da curadora Gilka Girardello, ele contou sobre o processo de captação e depois montagem do documentário, que vem conquistando plateias em festivais ao retratar o ‘adolescer’ de um grupo meninas de Guaribas, no Piauí.
O município onde foi gravado o documentário chegou a figurar entre os municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, mas que hoje, por impacto de políticas sociais, tem 98% de suas crianças e adolescentes na escola.
Andressa Proença Rosa, professora responsável pelas sessões do projeto Mostra nas Escolas no Núcleo de Educação Infantil Municipal (NEIM) Orisvaldina da Silva, na Lagoa da Conceição, destacou a potência do filme ao mostrar as crianças como protagonistas de suas próprias histórias. “A forma que a criança brinca diz muito como ela lê o mundo”, observou, referindo-se à inventividade das meninas retratadas na produção.
Para Gisele Albertini, professora do NEIM Campeche, também impactada pelo documentário, observou como o cinema tem um papel importante na formação. “O cinema é uma ferramenta especial, que encanta e também permite sair da bolha”, comentou, já também preparada para as exibições da Mostra nas Escolas, que este ano poderão ocorrer até 31 de outubro nas unidades escolares de Florianópolis e Palhoça.



