Maia fala dos desafios de se fazer animação

 

Uma versão contemporânea do livro “As aventuras do avião vermelho”, de Érico Veríssimo, levado para a telona pelos diretores José Maia e Frederico Pinto, de Porto Alegre, foi o primeiro longa-metragem exibido na 14ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis no primeiro final de semana.

O filme, que chegou aos cinemas em dezembro de 2014, narra a história de Fernandinho, um menino que perdeu a mãe e é hiperativo, como ele mesmo se descreve. Não tem amigos e vive uma relação difícil com o pai, que resolve tentar se reaproximar do filho através de um livro de sua infância – “As aventuras do avião vermelho”.

O protagonista do livro de Veríssimo é Capitão Tormenta, que no fim da história se perde num lugar remoto e frio da Rússia. Fernandinho cruza o mundo com seus brinquedos falantes – incluindo o próprio avião vermelho -, conhece diferentes culturas – Lua, Índia, África-, tudo em função de resgatar o Capitão, que acaba salvando Fernandinho e sua turma.

A surpresa é que Fernandinho, que cria toda a história a partir da sua imaginação impulsionada pelo livro, atribui ao Tormenta a identidade de seu pai.  O fato é que do início para o fim do filme a relação de afastamento entre eles  se transforma em afinidade e carinho mútuo. “No filme nos apoiamos mais na relação entre pai e filho, que no livro aparece de forma mais sutil. Queríamos algo mais humano, que deixasse uma mensagem. Nada mais humano do que uma relação entre pai o filho”, afirma José Maia, que participou da sessão.

 

Desafio do cinema de animação no Brasil

O longa-metragem de animação custou menos de R$3 milhões e levou 10 anos para ser lançado. Os últimos três anos foram de produção intensa, na qual estiveram envolvidos aproximadamente 15 desenhistas de diferentes partes do Brasil. “Eram desenhistas da Bahia, Santa Catarina, Paraná e outros estados. Falávamos pelo skype o tempo inteiro”, conta Maia.

As cenas do filme foram desenhadas no papel, escaneadas e finalizadas no computador. Apenas alguns cenários e o avião vermelho foram feitos em 3D. “Depois trabalhamos para harmonizar essas diferentes técnicas”, afirma o diretor.

O diretor, em sua vinda a Florianópolis, contou que já está trabalhando num novo longa-metragem de animação. Dessa vez, ao lado do cineasta e animador Otto Guerra, começa a preparar o “Piratas do Tietê”.

 

Primeira vez na Mostra de Cinema

Foi a primeira vez que José Maia vem a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. “É fantástico ver as crianças assistindo ao filme e interessados no processo”, diz o diretor, sobre o bate-papo que aconteceu depois da exibição.

Perguntas como “foi difícil fazer o filme?” e “foi uma criança que dublou o Fernandinho?” foram feitas e prontamente respondidas. “Foi difícil sim. Foi um processo longo e de gestão de pessoas”, relata. Sobre a dublagem, “foi um desafio ter uma criança dublando o Fernandinho, tínhamos que gravar bem pouquinho por dia porque ele se cansava. Mas gostei muito do resultado”, afirma Maia.

“Fico muito entusiasmado quando vejo uma mostra que chegou à 14ª edição, formando um público diferente, um público crítico”, finaliza.

As aventuras do avião vermelho. Foto de Daniel Conzi.

 

 

Fotos: Daniel Conzi

 



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