Luiza Lins fala da Mostra

A diretora geral da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Luiza da Luz Lins, explica, em entrevista, os objetivos do evento, que promove inclusão social e o respeito à diversidade. Ela também informa sobre uma parceria inédita com a Suécia para financiamento do cinema infantil brasileiro.

Confira:

Como surgiu a Mostra e quais são seus objetivos?

A Mostra surgiu em 2002, como opção de lazer cultural para as crianças. Na época o número de cinemas na cidade era bem limitado. Ela foi o primeiro evento de audiovisual no Brasil voltado exclusivamente para esse público. Tem duração de 17 dias e dois objetivos principais:
promover a diversidade cultural e a inclusão social. Nossa proposta é oferecer uma alternativa ao que é imposto pela televisão e pelo cinema americano. O cinema é um instrumento poderoso de educação, valorização da identidade nacional e da riqueza das diferenças. Claro que tem que divertir em primeiro lugar, mas pode ir além e promover valores positivos.

Qual é o público da Mostra?

Criamos um formato que atende vários públicos: os estudantes de escolas públicas das redes estadual, municipal e particular, e também as famílias. Nos fins de semana os pais e mães levam seus filhos ao cinema e fazem uma valiosa troca cultural. Este ano também haverá uma sessão jovem, porque o público da Mostra cresceu e está órfão de produções voltadas para a faixa etária a partir de 12 anos. Para esse público teremos vários curtas nacionais e o lançamento do longa Maré, nossa história de amor, de Lúcia Murat – uma livre adaptação de Romeu e Julieta que se passa na Favela da Maré. Também iremos exibir o francês Persepolis, história de uma garota iraniana. Este ano nossa meta é levar 25 mil crianças ao cinema. Dessas, 8 mil são de escolas públicas, que terão ônibus gratuitos para transportá-las ao Centro Integrado de Cultura (CIC). Mostras itinerantes irão aos bairros da Ilha e do Continente, São José, Palhoça e à Universidade Federal de Santa Catarina.

Qual é o perfil dos filmes?

Desde a primeira Mostra, a maioria dos filmes tem sido brasileira. Em todas tivemos a idéia de contar a história do cinema infantil nacional. Em 2003, por exemplo, exibimos uma cópia nova do clássico Pluft, O Fantasminha, de 1961. Mas a produção nacional é pequena e estavam acabando os clássicos. Nesse meio tempo surgiu o edital Curta Criança, do Ministério da Cultura, voltado para a produção de curtas-metragens. Passamos a fazer sessões de curtas. Este ano as produções brasileiras representam 70% da Mostra. Teremos a pré-estréia nacional de Pequenas Histórias, um filme primoroso de Helvécio Ratton. E também filmes da França, do Japão – em homenagem ao centenário da imigração– e dos países escandinavos.

É possível perceber o aumento da produção nacional para crianças?

Sim. A partir de 2006 passamos a organizar uma mostra competitiva que estimula os produtores. O número de filmes inscritos para concorrer à premiação aumentou em relação ao ano passado, de 80 passou a 112. Há três produções de Santa Catarina. Ainda é pouco, mas ajuda a movimentar o mercado.

Este ano o mercado é tema de debate na Mostra?

Sim, estamos realizando a quarta edição do Encontro Nacional do Cinema Infantil, com a participação de pessoas que trabalham há anos no segmento. Em 2007 o foco foi conteúdo. Nesta Mostra o tema é “Audiovisual Infantil: um mercado estratégico”. Teremos debatedores da Globo Filmes, TV Cultura, Canal Futura, TV Brasil, Petrobras, Ministério da Cultura, produtores da Xuxa, dos Trapalhões… O brasileiro vê pouquíssimos filmes nacionais na infância e só volta a ver de novo depois dos 18 anos. É formado pelo cinema americano. Se você incentiva a produção para crianças, isso vai refletir completamente no cinema nacional. No Brasil ainda existe certo preconceito de que o cinema para criança é uma arte menor. O audiovisual na sala de aula é subaproveitado. De 1960 até hoje, só 2% dos filmes brasileiros foram para o público infantil, e desses, a metade foi cinema comercial. Na Suécia e Dinamarca, por exemplo, o mercado é fortíssimo e tem produções de alta qualidade. Em torno de 20% dos recursos investidos pelo Estado na área são para o cinema infantil.

De que trata a parceria inédita da Mostra com a Suécia?

No dia 29 vamos realizar um pitching, processo seletivo para financiamento internacional. Das 20 inscrições recebidas, sete projetos de longa-metragem infantil foram selecionados para defesa por seus diretores ou produtores. O vencedor irá participar, em março de 2009, do Fórum de Financiamento do Buff FilmFestival, em Malmö, na Suécia. É o primeiro passo para dar visibilidade internacional ao cinema infantil brasileiro.

CONTATOS: Luiza Lins • direção da Mostra
luizalins@mostradecinemainfantil.com.br
(48) 9980 6908

COMUNICAÇÃO da MOSTRA imprensa@mostradecinematinfantil.com.br
(48) 3225 7993 Kátia Klock • (48) 9989 4202
Adriane Canan • (48) 9633 9912
Dauro Veras • (48) 9922 9700



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