Pré-estréia nacional

Sexta-feira, 27 de junho, será um dia especial para centenas de crianças de escolas públicas da capital catarinense. Elas terão a honra de ser o público da pré-estréia nacional do filme Pequenas Histórias do cineasta mineiro Helvécio Ratton, na abertura da 7º Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. A exibição acontece no cinema do Centro Integrado de Cultura, às 14 horas, e ao final da sessão o cineasta vai conversar com os pequenos espectadores. O filme terá uma segunda exibição no sábado, 28, às 16 horas, na “Sessão família”. Helvécio será homenageado nesta sétima edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis com o Prêmio Amigo do Cinema Infantil.

Pequenas Histórias – A produção, que tem no elenco atores como Marieta Severo, Patrícia Pillar, Paulo José, Gero Camilo e Maurício Tizumba, resgata de forma lúdica e alegre a magia da contação de histórias. São quatro diferentes “causos” narrados e “costurados” por uma contadora (Marieta Severo) na varanda de uma casa de fazenda. “São histórias brasileiras para pequenos e grandes, um filme para a família”, nas palavras do cineasta.

Diretor de filmes como A dança dos bonecos, Menino Maluquinho (apresentado na 1ª Mostra de Cinema Infantil, em 2002), Uma onda no ar e Batismo de Sangue, Helvécio Ratton fala, na entrevista abaixo, das expectativas sobre a pré-estréia nacional do filme Pequenas Histórias:

O filme resgata o ritual da contação de histórias mágicas e bem humoradas. Que espera da recepção do público infanto-juvenil?

Helvécio Ratton – Espero que crianças e jovens se divirtam muito com o filme, como já vimos acontecer em algumas sessões fechadas. Acho que a maioria vai curtir, especialmente aqueles que desde muito pequenos se acostumaram a ouvir e depois a ler histórias. Pequenas Histórias traz outra novidade para os tempos de hoje que é colocar a cultura popular na tela, o que não acontece no cinema brasileiro há muitos anos. E isso é uma surpresa gostosa para o público infantil.

Pode-se dizer que é um filme para toda a família, ou todas as gerações que se identificam com a linguagem?

Com certeza. O público mais velho fica muito emocionado com o filme ao se identificar com uma narrativa pouco usual nos dias de hoje. Tivemos uma sessão em Belo Horizonte onde o espectador mais velho tinha 94 e o mais novo, 4 anos. E dentro desse amplo leque, numa enorme variedade de gerações, os espectadores interagiram o tempo inteiro com o filme. Pequenas Histórias é um filme para todas as gerações e é na família que elas convivem, por isso é um filme familiar. A transmissão de cultura, a troca de idéias e sentimentos entre pessoas de idades diferentes é importante e prazerosa.

Qual a sua avaliação da produção de cinema infanto-juvenil hoje no Brasil?

A produção brasileira para o público infantil é pequena e quase sempre de baixa qualidade, sem nenhum respeito para com a inteligência e sensibilidade desse público. Precisamos produzir muito mais, fazer filmes dirigidos à família, filmes abertos a todos os pblicos. Esta é a proposta de Pequenas Histórias, encantar adultos e crianças ao mesmo tempo, já que crianças não vão sozinhas ao cinema.

A formação de público passa diretamente pela qualidade de produções oferecidas desde a infância. Qual a sua opinião sobre o mercado do cinema infanto-juvenil hoje no país?

Este mercado é ocupado pelos filmes norte-americanos e nossas crianças se acostumam, desde muito cedo, com a linguagem destes filmes. É claro que há bons filmes americanos, mas não falam de nossas coisas, de nossa cultura. Como disse uma vez a Sra. Danielle Miterrand, “cinema tem a ver com sonhos, e não sonhamos os mesmos sonhos.” É importante que as crianças possam ver histórias brasileiras nas telas e perceberem o quanto são interessantes. É assim que vamos formar público para o cinema nacional, para competirmos com as produções estrangeiras.. O problema é que elas ocupam as salas de forma arrasadora, especialmente nas férias, quando as crianças podem ir ao cinema, e não deixam espaço para o cinema nacional. Nós é que somos os “de fora”, estrangeiros em nosso próprio país. Para lançarmos Pequenas Histórias agora em julho, estamos tendo muitas dificuldades para conseguir as salas adequadas para o filme.

Qual a sua expectativa sobre a pré-estréia do filme na 7ª MOSTRA DE CINEMA INFANTIL DE FLORIANÓPOLIS?

Com certeza vai ser uma delícia. A Mostra é uma referência no Brasil para todos que levam a sério o cinema infantil e será um privilégio apresentar o filme para um público assim. Por isso fiz questão de estar presente e acompanhar de perto a reação de adultos e crianças, o diálogo entre Pequenas Histórias e o público da Mostra. Além de apresentar o filme, quero também participar de debates sobre o rumo do cinema para crianças em nosso país. Quero muito trocar idéias, ouvir outras opiniões e análises. Com certeza vai ser ótimo.

Site oficial do filme: http://www.pequenashistorias.com.br



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