Cem anos de Cascaes

A 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis faz uma homenagem especial a Franklin Cascaes (1908-1983) por ocasião do centenário de seu nascimento. Desenhista, escultor, escritor, pesquisador e professor, Cascaes realizou um rico registro da cultura dos descendentes de açorianos na Ilha de Santa Catarina. Um pouco desse trabalho pode ser apreciado na exposição de desenhos “Mitologia Marinha” e no livreto “Vassoura Bruxólica”, conto do artista que foi adaptado para crianças por Gilka Girardello, com ilustrações de Fernando Lindote e projeto gráfico de Vanessa Schultz.

Nos desenhos da “Mitologia Marinha”, Cascaes retratou seres imaginários na forma de peixes misturados com animais. Das 30 obras da série, 13 estão expostas no Centro Integrado de Cultura (CIC), graças a uma parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesc/SC). “Os desenhos estão circulando o estado há quatro anos numa exposição itinerante, que foi deslocada para Florianópolis especialmente para entrar na programação paralela da Mostra”, diz o coordenador de Cultura do Sesc/SC, Valdemir Klant. São seres como o monstro marinho, a senhora dos navegantes, o peixe-cachorra, o peixe-gato e o peixe-folha.

“Vassoura bruxólica” conta a história de Maria Vivina. No enredo, a personagem faz uma aposta com sua amiga Carriça de que vai varrer o quintal na sexta-feira santa e nada lhe acontecerá. Vinte e cinco mil cópias foram impressas em formato de bolso, para que todas as crianças participantes da mostra recebam um exemplar de presente. “Fico muito feliz que as crianças de Santa Catarina possam conhecer melhor a obra de Cascaes”, diz a professora da UFSC, jornalista e contadora de histórias Gilka Girardello. “Ele tem um texto belíssimo e nesta adaptação procurei mexer o mínimo possível para tornar o conto mais acessível às crianças que estão se alfabetizando”.

Gilka inspirou-se no escritor Monteiro Lobato, que adaptou para o universo infantil obras como Dom Quixote, Robson Crusoé e Peter Pan. O espírito das dicas do criador de Emília é procurar ser direto, evitar muitos adjetivos e intercalações. “Ele não tinha medo de usar palavra difícil”, diz. “Por exemplo, troquei ‘metamorfoseou’ por ‘transformou’, mas depois coloquei de novo a palavra original de Cascaes, para que as crianças procurem seu significado em um dicionário ou compreendam pelo contexto”. Para ela, a iniciativa vai enriquecer bastante o trabalho nas escolas.



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