A tevê das crianças

Quando crianças têm a oportunidade de se apropriar da mídia para gerir e criar seus próprios produtos de comunicação, os resultados são surpreendentes. A Fundação Casa Grande, organização não-governamental localizada no município de Nova Olinda (CE), abraçou a idéia e está provocando uma revolução cultural na sertão do Cariri. Nessa escola de currículo inusitado, meninos e meninas são protagonistas na produção de programas de tevê e rádio, peças teatrais, edição de livros e em projetos vinculados à museologia, entre outras iniciativas.

A Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri foi criada em 1992 pelo pesquisador autodidata Alemberg Quindins (Francisco Alemberg de Souza Lima). Sua sede fica na antiga casa grande da Fazenda Tapera, na região do Cariri (CE), conhecida pela riqueza do patrimônio arqueológico. A diversidade cultural nordestina, o folclore e o cotidiano da população sertaneja são temas recorrentes na produção cultural das crianças e adolescentes que participam da ong.

Quindins é um dos debatedores convidados a participar do 2º Fórum de Políticas Culturais voltadas para Crianças, que se realiza nesta sexta, 11 de julho, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. O Fórum faz parte da programação da 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que se encerra no dia 13 de julho.

“Quando as crianças se tornam não só consumidores de tevê e rádio, mas também aprendem a produzir conteúdo, isso faz uma grande diferença na auto-estima e no discernimento delas”, diz Quindins. A TV Casa Grande foi lacrada pela Anatel em 2000, depois de ir ao ar experimentalmente por três vezes. Então a programação passou a ser exibida em salas de cinema, nas tevês Cultura e Futura e em emissoras de vários países latino-americanos.

A Fundação Casa Grande recebeu diversas homenagens nacionais e internacionais, como o Prêmio UNICEF Criatividade Patativa do Assaré, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural Ministério da Cultura do Brasil, o Prêmio Children´s World o Prêmio Fellow Empreendedor Social Ashoka. Sua metodologia já foi replicada em Angola, Moçambique e Itália. Em 2007 a Fundação atendeu 25,8 mil crianças com R$ 50,8 mil – um custo de R$ 1,96 por pessoa atendida/ano.



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