Cinema Infantil Brasileiro em Festival no Irã


Luiza Lins, Dora e Gilka Girardelo
Luiza Lins, Dora e Gilka Girardelo

A delegação brasileira que participou do 23º Festival Cinema de Crianças e Jovens Adultos de Hamedan, no Irã, voltou para casa com histórias, experiências e projetos. Durante os quatro dias do evento, a estudante Dora Girardello, de 10 anos, foi jurada mirim, e teve a companhia da mãe, Gilka Girardello, professora de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Já Luiza Lins, diretora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, participou do júri internacional, composto por profissionais da Turquia, Tunísia, Grécia, Índia e Irã, além do Brasil. Luiza Lins já articulou contatos para trazer filmes iranianos para a 9ª Mostra de Florianópolis no ano que vem. O Brasil também foi premiado no festival com o longa-metragem O Garoto Cósmico, de Alê Abreu, que recebeu um prêmio especial de apoio à produção.

A pequena Dora, que domina a língua inglesa, adorou a experiência. Ela adora cinema e compartilhou opiniões com crianças de outros países. Durante o festival, que aconteceu entre 2 e 6 de agosto, Dora teve a oportunidade de conferir produções brasileiras e iranianas, além de filmes da Alemanha, Escócia, Portugal, Holanda, Indonésia, Coréia do Sul e China.

Segundo as representantes do Brasil, a delicada situação política no país não prejudicou em nada a visita e a participação no tradicional evento da sétima arte. “Ficamos encantadas com a organização do evento e a receptividade dos iranianos com os brasileiros”, afirma Luiza Lins. A cineasta levou três títulos brasileiros para a seleção da próxima edição do festival: A Menina Espantalho, de Cássio dos Santos (DF), O Mistério do Boi de Mamão, de Luiza Lins (SC), e O Campeonato de Pescaria, também de Luiza e codireção de Marco Martins.

Aprendizagem

Luiza Lins entende que o cenário audiovisual iraniano deve servir de exemplo para o Brasil. “A produção de cinema no Irã é intensa e constante, e pode colaborar muito para o cinema brasileiro voltado para as crianças. O grande aprendizado desta viagem foi perceber que o investimento no cinema infantil foi fundamental para o fortalecimento de uma indústria do audiovisual nacional. Este talvez seja um bom caminho também para o Brasil”, destaca a cineasta.

A experiência foi tão produtiva, que Luiza já está articulando trazer uma amostra desse trabalho para terras brasileiras. “Vamos propor uma mostra de filmes iranianos para crianças na 9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em julho de 2010”, declarou.

Produção brasileira premiada

Mais de 40 países participaram do Festival, com 162 produções. Os vencedores dessa edição foram o filme turco Momo, e o japonês The Piano Forest, “duas obras emocionantes que realmente se destacaram”, afirma Luiza Lins. O longa-metragem O Garoto Cósmico, de Alê Abreu, representou o Brasil na competição. O filme causou encantamento entre os jurados, que decidiram contemplar a produção brasileira com um prêmio especial de incentivo à produção de filmes para criança no mundo.

O Garoto Cósmico tem como cenário um mundo futurista, onde três garotos se perdem no espaço, encontrando um pequeno circo que os faz viver novas experiências. O diretor Alê Abreu entende que a premiação é de extrema importância para as produções audiovisuais brasileiras. “É inegável que os filmes são diálogos importantes com as crianças. Cultura é o entendimento de onde e quando a gente vive, e o cinema pode estimular a criança a essa importante reflexão”, diz o cineasta.

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