Circuito apresenta a história do cinema catarinense


A partir deste sábado (5), o Circuito de Cinema Catarinense para Crianças e Jovens exibe uma seleção exclusiva de filmes produzidos em Santa Catarina.

Trata-se de um recorte desde 2005 até os dias atuais. Entre os selecionados estão Taí ó, uma aventura na Lagoa (2014), de Mauricio Venturi; O fim da trama, de Patrícia Monegatto (2016); e O resgate (2018), de Arthur Roedel. As sessões serão transmitidas ao vivo no sábado (5/9), domingo (6/9) e segunda (7/9), das 17h às 19h, pelos perfis da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis no YouTube e Facebook. Serão seguidas de bate-papo com realizadores. Todos os filmes são acessíveis  em LIBRAS (Língua Brasileira dos Sinais), audiodescrição e legendas e durante. Durante o evento estará aberta votação para escolher o melhor filme catarinense. O vencedor será divulgado no encerramento, no dia 8/9.

Se hoje temos uma lei que obriga a exibição de cinema brasileiro nas escolas (Lei 13.006, de 2014) e conteúdos de qualidade para crianças, muito se deve às discussões, atividades e fomento promovidas pela Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis há quase 20 anos, hoje um festival de referência para o Brasil. Antes da Mostra, principalmente em Santa Catarina, a produção de audiovisual para os pequenos era nula.

O Mistério do Boi de Mamão, curta-metragem de ficção produzido por Luiza Lins em 2005, foi um marco.

— Antes não existia cinema para criança em SC. Exibíamos filmes do Brasil e de outros países e me incomodava não ter obras catarinenses. Queria que as crianças conhecessem a cultura do Brasil, mas elas sequer viam a própria cultura — conta a produtora e diretora da Mostra e do Circuito, Luiza Lins.

Na época, o lançamento de O Mistério do Boi de Mamão foi uma comoção: as crianças que participaram das filmagens se viram pela primeira vez na tela, viram sua cultura, viram seus conhecidos.

— Antes a gente não pensava muito nisso. A minha formação como cineasta vem muito da Mostra. Estudei cinema entre 2000 e 2004 e lembro que no curso quase não se falava em cinema infantil. Minhas referências eram os filmes dos Trapalhões ou as produções norte-americanas. Com a Mostra de Cinema Infantil e o Circuito, começamos a ter contato com as obras de outros lugares do mundo e do Brasil — avalia Marco Martins, cineasta que assina a codireção de Campeonato de Pescaria (2009) e O Sumiço da Coroa (2014), ambos na seleção de curtas catarinenses desde ano.

Para a cineasta Patrícia Monegatto, diretora do curta O fim da trama (2016), também na seleção do Circuito em 2020, eventos como a Mostra e o Circuito foram importantes porque além de oportunizar a exibição de filmes, promoveu ao longo dos anos atividades de formação.

—Eu não tinha esse olhar voltado para filmes para crianças porque na escola não temos a educação / formação. E é tão importante. Dessa forma as crianças podem acompanhar o cinema nacional e tornarem-se futuras espectadoras. Foi a partir da Mostra que me encantei e senti vontade de contar histórias a partir da perspectiva do olhar da criança — afirma.

O fim da trama, dirigido por Patrícia, é um curta sobre a amizade:

— Acredito que o cinema transforma. Decidi escrever essa história do ponto de vista de um menino de 7 anos. É também uma história de suspense, eu gosto dessa atmosfera… E sobre as fragilidades e medos de um menino.  Para os homens expressarem esse sentimento é mais difícil no sentido estrutural. Não é sobre gênero, mas é importante abordar esse sentimento no masculino — diz a diretora.

A importância da circulação

O Circuito de Cinema Catarinense para Crianças e Jovens está na 9ª edição em 2020 e surgiu do desejo de levar os filmes da Mostra de Cinema Infantil para todo o Estado. Este ano, a agenda começou no dia 31 de agosto com oficinas e conversas virtuais voltadas para profissionais da educação.

— Filme para criança não envelhece. Porque sempre vão existir crianças. Acho que os realizadores que até então não pensavam nisso e viram na Mostra um estímulo — comenta Luiza Lins.

Para o cineasta Marco Martins, a importância da programação do Circuito, para além da mostra, está justamente na possibilidade de ter os filmes circulando:

— Alguns filmes são restritos aos lançamentos durante festivais. O circuito os mantém vivos. Este ano, com a programação toda on-line, é um desafio chamar atenção diante de tantas agendas e lives. Ao mesmo tempo, se antes fazíamos esse trabalho de cidade em cidade pelo interior de SC, este ano teremos a oportunidade de alcançar outros lugares, o Brasil inteiro.

A 9ª edição do Circuito tem patrocínio do Prêmio Catarinense de Cinema 2019 – Fundação Catarinense de Cultura/Governo de Santa Catarina e, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do BRDE- Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, da Celesc – Centrais Elétricas de Santa Catarina e da Enercan – Campos Novos Energia S.A. O evento tem apoio institucional da Fecam – Federação Catarinense de Municípios e do IFSC – Instituto Federal de Santa Catarina. A realização é da Lume Produções Culturais e a direção geral de Luiza da Luz Lins.

Agende-se
Circuito de Cinema Catarinense para Crianças e Jovens

De 31 de agosto a 8 de setembro

100% on-line e gratuito

Certificado para participantes do evento (mínimo 10 horas de participação)

Transmissão ao vivo pelo YouTube e Facebook

Programação

Sábado, 5/9
17h – 19h: Sessão online de Curtas Catarinenses

O Mistério do Boi de Mamão, de Luiza Lins (ficção, SC 2005, 13′)
Campeonato de Pescaria, de Luiza Lins e Marco Martins (ficção, SC, 2009, 14′)
Nuvem, de Vanessa Sandre (ficção, SC, 2014, HD, 15’)
Após a sessão: Bate papo sobre cinema infantil com os realizadores Luiza Lins, Marco Martins e Vanessa Sandre.

Domingo, 6/9

17h – 19h – Sessão online de Curtas Catarinenses
Bate papo com os realizadores sobre cinema infantil após a sessão on-line
Taí ó, uma aventura na Lagoa, de Mauricio Venturi (ficção, SC, 2014, 15’)
Meu tio que me disse, de Vanusa Angelita Ferlin (SC, ficção, 2015, 9’40’’)
O Sumiço da Coroa, de Marco Martins e Chico Faganello (ficção, SC, 2013, 13’)
O resgate, de Arthur Roedel (SC, ficção, 2018, 12’)
Após a sessão: Bate papo sobre cinema infantil com os realizadores Vanusa Ferlin, Kátia Klock e Arthur Roedel.

Segunda, 7/9

17h – 19h – Sessão online de Curtas Catarinenses
O Samba daqui, de Melina Curi (ficção, SC, 2014, 15’)
Nham Nham – A criatura, de Lucas de Barros (ficção, SC, 2015, HD, 13’)
O fim da trama, de Patrícia Monegatto (SC, ficção,2016,13’)
Após a sessão: Bate papo sobre cinema infantil com os realizadores Melina Curi, Lucas de Barros e Patrícia Monegatto

Terça, 8/9 – ENCERRAMENTO

10h – 11h30: Oficina Práticas de produção e mediação audiovisual para contextos educativos – Recursos audiovisuais e escola, com o Coletivo Móbile Educacional

14h – 16h30: Encerramento
Relatos sobre experiências de professores, um de cada uma das seis mesorregiões do Estado Exibição do filme catarinense vencedor

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