Cinema também na escola

O “Cinema Infantil no Brasil e no Mundo” foi o tema que aqueceu o debate do 5º Encontro Nacional de Cinema Infantil. Mediado pelo diretor de animação Andrés Lieban, o encontro teve a participação de Silvio Da-Rin, secretário do Audiovisual (SAv/MinC), Glauber Piva, diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Sannette Naeyé, do Festival Cinekid, da Holanda, Carla Camurati, diretora do Festival Internacional do Cinema Infantil (FICI), Moema Müller, da Cinemateca Brasileira/Programadora Brasil, Solange Lima, presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD), e Luiza Lins, diretora da Mostra de Florianópolis.

O ponto de convergência de todos os participantes foi a necessidade de levar as produções audivisuais para a escola, reiterando a ideia do Projeto de Lei do senador Cristóvam Buarque (PDT), que visa tornar obrigatória a exibição de audiovisuais nas instituições de ensino brasileiras. A representante do principal festival de cinema da Europa, Sannette Naeyé, destacou que o cinema é essencial para o desenvolvimento cultural e para a auto-estima das crianças. “As produções infantis são uma ferramenta para aumentar a cultura e o aprendizado das crianças”, disse.

Para a presidente da ABD, Solange Lima, é necessária uma politização da sociedade. “As pessoas têm de se movimentar para que o audiovisual seja incluído no currículo escolar”, disse. Já Carla Camurati destacou a importância de ampliar o olhar infantil para o cinema. O Festival Internacional de Cinema Infantil, do qual é diretora, promove há sete anos o projeto “Tela na Sala de Aula”, que já atendeu mais de 300 mil crianças de escolas públicas brasileiras. “O cinema deve ser usado como um instrumento de educação, o audiovisual é o instrumento do futuro”, acrescentou Solange Lima, que também é produtora de cinema no estado da Bahia.

Os participantes do encontro chegaram, ainda, a outro senso comum. A necessidade imediata de capacitação e formação de profissionais mais preparados. Andrés Lieban, que é parceiro dos Encontros da Mostra há três anos, salientou que não basta disponibilizar recursos. “Temos que pensar em projetos também de capacitação para produtores, exibidores e distribuidores de filmes infantis. Há uma demanda que ainda não está sendo atendida, é preciso preencher essa lacuna”.

O Brasil precisa ampliar os incentivos à produção de cinema infantil e utilizar o cinema como uma plataforma para o desenvolvimento. “A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis é um exemplo de iniciativa que já está sendo tomada em prol desse objetivo”, afirma Sannette Naeyé.

Sannette Naeyé comparou dados do mercado cinematográfico infantil da Europa com os do Brasil. Os países que mais investem em cinema infantil são os nórdicos europeus. A produtora holandesa apresentou dados que mostram que na Dinamarca 20% dos fundos de financiamento público destinados às produções audiovisuais são exclusivamente para filmes infantis. Sannette fez sugestões para os dirigentes do governo federal que estavam no debate de como incentivar projetos para o cinema infantil. “Investir em filmes infantis é apoiar o desenvolvimento, a sustentabilidade do país”, comenta Sannette.

Segundo o secretário Silvio Da-Rin, R$ 150 milhões são destinados por ano para audiovisuais brasileiros. Ele citou o Curta Criança, edital do MinC e TV Brasil para curtas-metragens infantis e o Programa Nacional de Desenvolvimento da Animação Brasileira, o AnimaTV, que tem o objetivo de abrir canais para os projetos produzidos no país. “Os pilotos já foram selecionados para duas séries de 13 episódios cada, que serão transmitidos na TV Brasil”, afirmou Da-Rin.

O diretor da Ancine, Glauber Piva, que assumiu há poucos dias o cargo, admitiu que é hora de criar uma linha de financiamento para o cinema infantil. “Levaremos a proposta para o Fundo Setorial do Audiovisual, que já trabalha em uma linha de financiamento para coprodução internacional para que se pense também em acrescentar o cinema infantil em suas diretrizes. É importante amarrar parcerias com outros países, aproximar os mercados, fazer um intercâmbio de ideias, qualificar a produção brasileira”. Glauber citou a possibilidade de trabalhar com cotas para o cinema infantil, mas prefere mesmo que sejam criados mecanismos diretos, como o apoio a séries de TVs.

“O Governo Federal precisa criar mecanismos para o incentivo da produção, com edital para longa-metragem e financiamento para projetos de roteiro, por exemplo. Precisamos ter um apoio direto para os filmes infanto-juvenis”, disse a diretora da Mostra Luiza Lins, abrindo um debate para a criação de um fundo específico para filmes infantis. Os participantes firmaram um acordo de dar continuidade a essas discussões durante o Festival Internacional de Cinema Infantil, em agosto, no Rio de Janeiro.

Fotos: Cleide de Oliveira
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