Encontro Nacional de Cinema Infantil aponta questões para implantar cineclubes nas escolas

O grupo de trabalho para regulamentação da lei 13006, que estabelece a exibição de duas horas mensais de filmes brasileiros nas escolas da educação básica, deve ser convocado ainda este mês. São quatro representantes dos ministérios da Cultura, dois do ministério da Educação e cinco da sociedade civil. O assunto foi tema do Encontro Nacional do Cinema Infantil, que ocorreu no sábado no Centro Administrativo do Governo do Estado de Santa Catarina.

Para Juana Nunes, secretária de Formação Artística e Cultural do Ministério da Cultura, o cinema expande o olhar e amplia o repertório cultural dos estudantes. “Com a aplicação da lei, a escola fica melhor. Mas é preciso dar condições para os professores trabalharem os filmes e mais condições para a produção de cinema brasileiro”, diz a secretária.

Pola Ribeiro, secretário do audiovisual do MinC, avalia que o ministério pode ser um parceiro na implantação da lei. “Temos em torno de 150 a 200 cineclubes atuantes, há de 3 a 4 mil pontos de cultura, que podem colaborar na programação e indicação de filmes para as escolas”. Para o secretário, o cinema tem a capacidade de despertar a aventura do conhecimento e pode aproximar neste processo a educação e a cultura.

Ítalo Dutra, diretor de currículos e educação integral do Ministério da Educação, destaca que levar cinema para a escola não deve pedagogizar a ação. Para ele, a lei do cinema nas escolas deve ter uma compreensão mais ampla, incluindo a escola, o bairro a cidade. “Um dos pontos fundamentais é fomentar, criar condições para a escola, com uma premissa de autonomia e respeitando os arranjos locais”.

Para Beth Carmona, do projeto ComKids, que promove o cinema para a infância e adolescência, os professores estão ávidos e querem cinema nas escolas. Mas “é preciso pensar que demanda é essa. Falta metodologia, constância. E é necessário desenvolver o olhar dos professores para escolherem os próprios filmes. E para isso há um longo caminho”.

Luiza Lins, diretora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que realiza o Encontro, acredita que com a exibição de filmes nas escolas poderá haver a possibilidade de contribuir culturalmente para a formação social da criança e do adolescente, oferecendo novos parâmetros para reflexão e entendimento da realidade brasileira.

Ministrante de curso de formação em cinema para professores da rede municipal de educação de São Paulo, Cláudia Mogadouro avalia que é imprescindível ampliar o repertório de professores. “A maioria não conhece as produções nacionais. No máximo, o que vem à memória da maioria dos educadores, quando muito, é Tropa de Elite”.

Para Roberto Lima, da Agência Nacional e Cinema (Ancine) a implantação da lei pode colaborar na formação de plateias para o cinema brasileiro, num cenário em que a produção nacional concorre com as produções externas, veiculadas de maneira ostensiva principalmente na televisão e nas salas de cinema. Para ele, a lei pode ampliar a perspectiva do cinema nacional, com o acesso de crianças e adolescentes ao audiovisual produzido no Brasil.

 

Fotos: Daniel Conzi

 



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