Audiovisual infantil como espelho da criança

Nesta quinta-feira (17), a Conversa “Imagem, infância e cultura popular“ contou com a participação da produtora Renata Meirelles (SP), do diretor David Reeks (EUA) e do educador Nado Gonçalves (SC)

O ato de brincar é universal. Em qualquer lugar do mundo, crianças inventam brincadeiras ou brincam como antigamente, com rodas, bolinhas de gude, sobem em árvores. A única diferença é o contexto e o ambiente de cada região oferecido a elas para que soltem a imaginação. Na Conversa do 10º Circuito de Cinema Infantil desta quinta-feira (17), o tema foi “Imagem, infância e cultura popular – Caminhos do Projeto Território do Brincar: uma retrospectiva audiovisual”. Participaram do debate, a produtora Renata Meirelles (SP), o diretor David Reeks (EUA) e o educador Nado Gonçalves (SC).

Renata e David são os criadores do Território do Brincar, um projeto audiovisual que transforma as brincadeiras infantis em documentários e filmes. Durante a Conversa, o casal que há 20 anos registra as diferentes brincadeiras no Brasil, fez uma retrospectiva do trabalho. Com um olhar sensível às formas de brincar, as cenas de uma criança no balanço ou rodopiando um peão se tornam quase um poema nos filmes dos cineastas. Uma das produções mais belas exibidas durante o evento foi a “Brincadeiras infantis na Região Amazônica”, filmado durante dois anos no norte do país. 

Para alguns, filmar crianças pode parecer difícil, mas só a experiência é capaz de estabelecer métodos infalíveis para gravar boas cenas. “O método que criamos é criar vínculos com as crianças, pode ser feito brincando ou mostrando filmes. Mostramos alguns registros que já fizemos com eles e depois editamos. Sempre tentamos voltar aos lugares para que possamos valorizar nossa relação e mostrar num telão como elas aparecem”, conta David.

O audiovisual infantil tem o poder de reconhecimento da criança que assiste para a que está na tela. Por isso a importância de representá-las em filmes e animações. Uma das atitudes mais marcantes da carreira de David foi quando as produções brasileiras foram exibidas para crianças americanas. “A linguagem do brincar é universal, as crianças dos Estados Unidos se reconheceram nas crianças do Amazonas, percebi que eles sentiam vontade de estar lá brincando junto”, conta. 

Os convidados na Conversa online do 10º Circuito de Cinema Infantil, nesta quinta(17). (Foto: Reprodução)

Para Renata o audiovisual é um espelho da criança, ela vê a si própria e a outras crianças. “O audiovisual dá essa devolutiva na qual você vê cenas e se coloca no lugar. O território do brincar tenta trazer esse espelho, o gesto da infância que corrobora com a vida de todos nós guardadas na singularidade”, completa.

Com a pandemia o casal de cineastas passou a fazer pesquisas a distância com famílias brasileiras e criou o projeto “Brincar em Casa” com dicas de brincadeiras que podem ser feitas dentro das residências. “Criamos um podcast chamado ‘Brincar em casa” e um média-metragem também chamado ‘Brincar em Casa’ com muitas imagens que recebemos de famílias da qual conversamos durante o ano da pandemia”, explica. 

O brincar e a cultura popular

Para Renata o mais interessante no gesto do brincar é o reconhecimento do humano. “A atração pelo fogo, por exemplo, é do humano, obviamente que em cada região a gente foi afastando a possibilidade de brincar com ele, mas o fogo é essa atração representada na humanidade, é uma brincadeira que todo mundo já olhou. A brincadeira de brincar de casinha, cavucar a terra, são gestos genuínos e que com um olhar mais aprofundado todos se reconhecem ali. Eu costumo dizer que Jesus brincou de cavucar a terra”, brinca. 

Em cada região do país, o casal percebeu que as crianças brincam das mesmas coisas, o que muda são os cenários e os contextos. “O contexto cultural no âmbito da camada acima desse contexto da qual todos se reconhecem, em alguns lugares é possível brincar de casinhas construídas por folhas de bananeira, bonecas feitas de barro. É da cultura popular daquela região, é o colorido que dá para que se exiba o que está dentro de todos nós”, afirma Renata. 

Em um contexto escolar, o educador Nado Gonçalves explica que trazer as histórias da cultura popular local para dentro das salas é essencial para que as crianças sintam-se pertencentes de onde nasceram ou moram. “A pergunta que nos ronda é: o que o olhar da criança sobre ela mesma e a professora e o grupo pode ajudar a professora, a criança e o grupo? Me parece que hoje temos que fazer cada vez mais essa relação de pertencimento dentro das escolas e as tecnologias de mídia nos ajudam nisso”, conclui.

Veja a Conversa na íntegra:

📌De 14 a 19 de junho, o 10º Circuito de Cinema Infantil tem na programação filmes, oficinas de audiovisual e debates. É dedicado a educadores e educadoras e interessados em cinema e educação.

Saiba mais em www.mostradecinemainfantil.com.br/circuito



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