Manifestação cultural é tema de curtas

“Meninos e Reis”, de Gabriela Romeu, e o “No Fim da Trama”, de Patrícia Monegatto, exibidos na Sessão de Curtas Nacionais, no domingo, dia 3, contam um pouco da cultura brasileira do norte e sul, trazendo duas manifestações culturais, o reisado e o pau de fitas, para abordar questões da infância.

Gravado numa escola de Florianópolis, No Fim da Trama é uma ficção sobre tensões e medos diante de responsabilidades. Nomeado condutor da dança, Léo, um menino de 10 anos, fica apreensivo minutos antes de começar o pau de fitas. Um simples erro pode travar a fita, interromper a dança e por um fim na trama. Ao lado dele está Estela, sua parceira na brincadeira, que o encoraja a seguir.

“A gente tem mania de pensar o pior diante de alguma situação de pressão. Nesses momentos tem sempre alguém do nosso lado para nos dar força e alegria. A amiga Estela dá esse suporte. O filme quer passar essa mensagem de que amizade é muito importante para a vida”, afirma Patrícia.

No pau de fitas, o brincante desatento que errar o passo pode voltar e desfazer o nó. Foi nessa possibilidade de desfazer a ação que a história se desenrolou. “Pensamos como o enrolar dessa trama tinha a ver com a infância e, ao mesmo tempo, com o cinema que dá a possibilidade de voltar e fazer a cena novamente”, explica a diretora.

A diretora do interior de São Paulo disse que a ideia do filme surgiu do carinho que ela tem por festas juninas, fogueiras e, especialmente, pela dança típica. A partir do pau de fitas se desenvolveu o drama sobre a fragilidade de um menino e a força da uma menina que o conduz à ação.

“Eu nunca tinha dançado pau de fitas, tivemos que ensaiar algumas vezes e isso foi difícil. Foram várias descobertas durante a gravação. A gente aprendeu muito com o filme”, revela a atriz Camilla Araújo, 12 anos, que interpreta Estela.

Gravado no Sertão do Cariri, no Ceará, “Meninos e Reis” documenta a preparação das crianças da comunidade para o grande dia da Festa de Santos Reis, revivendo os sentimentos de carinho pela brincadeira tradicional que envolve toda a família.

Gabriela conta que em 2009 visitou o Sertão do Cariri, uma região de muito verde conhecida como Oásis do Sertão, e ficou impressionada com o fascínio que as crianças tinham pelo folguedo. Foi lá que ela conheceu a menina Maria que brincava o reisado desde os dois anos de idade.

No ano de filmagem, a rainha Maria, protagonista dessa não ficção, entrega sua coroa depois de anos de reinado, numa despedida cheia de emoção. “Ela tinha vivido todo o reinado e quando passa essa coroa para a irmã é como se estivesse entregando a infância. É um momento muito dolorido para ela”, conta a diretora.

No bate-papo após a sessão, o professor Zé Renato Mangaio, que levou o filho de três anos, disse que ficou emocionado com a cena da entrega da coroa. “Foi muito interessante ver a cultura popular pela perspectiva da infância. O pau de fitas e o reisado foram tratados de uma maneira sensível e afetiva nos filmes”, diz o professor.

 

 



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