Encontro Nacional de Cinema Infantil lança pesquisa para mapear o audiovisual feito para crianças no Brasil 

Fotografia de grupo com vinte e cinco pessoas sorrindo em um auditório, diante de banners da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que celebra vinte e cinco anos.

Participantes da abertura da 25ª Mostra de Cinema Infantil. (Foto: Carol Arruda)

Cerca de 30 representantes do audiovisual infantil brasileiro, como Rosane Svartman, Beth Carmona, Flávia Lins e Silva, Célia Catunda e Arthur Fiel reuniram-se no Encontro Nacional de Cinema Infantil na manhã desta sexta-feira, dia 09 de outubro, com o objetivo de construir coletivamente estratégias e ações voltadas ao desenvolvimento do setor no país. O encontro faz parte da programação da 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que começou hoje e segue até o dia 17, no Centro Integrado de Cultura e no Teatro Ademir Rosa, na capital catarinense.

Luiza Lins, diretora da Mostra de Cinema Infantil
Luiza Lins (Foto: Carolina Arruda)

Durante o Encontro foi lançado o Mapeamento do Audiovisual Infantil e Infantojuvenil no Brasil, realizado pelo Observatório Brasileiro do Audiovisual Infantil (OBA!) em parceria com a Mostra. Trata-se de um formulário de pesquisa com vistas ao levantamento de dados que ajudem a compreender o estado atual do setor e a balizar discussões em torno de políticas e mercado. O formulário, voltado a profissionais, empresas e instituições, poderá ser preenchido até dia 20 de novembro e, posteriormente, os dados coletados serão reunidos em um documento aberto ao público.

“Nosso encontro hoje, mais do que nunca, é para continuarmos trabalhando pela garantia dos direitos das crianças. O que nos une é a compreensão de que o cinema e o audiovisual são meios para esse alcance”, afirmou a diretora da Mostra, Luiza Lins, lembrando que há 25 anos o Festival resiste e se mantém relevante na luta pelo acesso ao cinema infantil.

PESQUISA OBA! 2026

Ajude a mapear o audiovisual infantil e infantojuvenil no Brasil

Profissionais, empresas e instituições podem contribuir com a pesquisa do OBA!


Responder ao formulário

PRAZO PARA PARTICIPAÇÃO
Até 20 de novembro de 2026

A necessidade de políticas públicas contínuas direcionadas à infância esteve entre os pontos centrais do debate. A cota transversal de 25% direcionada ao audiovisual infantil foi apontada como uma das principais demandas do setor.

Segundo pesquisa do Observatório Brasileiro do Audiovisual Infantil (OBA!), apresentada pelo mestre em cinema e audiovisual, Arthur Fiel, a cada dez filmes exibidos nos cinemas brasileiros em 2025, seis eram infantis e infantojuvenis e bateram recorde de público. “É a infância que mantém viva as salas de cinema. Mas de todas as obras assistidas no ano passado, só uma era brasileira. A gente não tem carência de público, a gente tem carência de políticas e estratégias”, pontuou Fiel.

Fotografia de homem com óculos em um palco, sorrindo enquanto fala ao microfone diante de uma apresentação projetada com o título “Uma pequena história das políticas para as infâncias”

Arthur Fiel, mestre em cinema e audiovisual, mostrou dados atuais do setor. (Foto: Carol Arruda)

Estratégias coletivas para imaginar e construir novos futuros

A concorrência desleal com as plataformas online e a necessidade urgente em regularizá-las também esteve em pauta. Para a escritora e roteirista Flávia Lins e Silva, a TV atualmente já não é mais a vilã das crianças. “A TV se mostrou um espaço seguro, com pedagogias e regras, ao contrário dos canais de internet. Será que a gente precisa pedir política pública e regulação pro YouTube? Será que tudo que a gente lança na TV a gente tem que lançar no Youtube? Porque as crianças estão lá. E os YouTubers vendem o tempo todo”, destacou Flávia.

“É óbvio que a gente não pode desistir das políticas públicas, mas devemos pensar de forma estratégica. Como é que a gente faz pra continuar contando histórias? No YouTube tem pouca história, pouca ficção!”, pontuou a escritora, diretora e produtora de cinema Rosane Svartman.

Célia Catunda (Foto: Carol Arruda)

Beth Carmona, consultora e gestora de projetos na área infantojuvenil, falou sobre o papel e a importância da TV pública como forma de resistência, distribuição de cultura e espaço de representação. Carmona também trouxe atualizações sobre a TV 3.0. “Será uma TV que vai trafegar pela internet, via radiodifusão. Talvez em 10 anos estaremos nesse ambiente”, pontuou.

A diretora e produtora Célia Catunda falou com otimismo sobre o desenvolvimento do audiovisual nas últimas décadas. “A TV pública tinha muito mais barreiras e foi incrível ver a resposta do público. Hoje temos muito mais gente envolvida com a produção para a criança, tem mais espaço, mas temos novos problemas como o YouTube “, afirmou.

A mediação do Encontro ficou por conta da pesquisadora em Cultura e Infância, Isabela Silveira. (Foto: Carol Arruda)

O debate também trouxe à tona a importância do relacionamento entre realizadores e distribuidoras e a necessidade de contabilizar circuitos exibidores já estabelecidos com instituições escolares. “O circuito exibidor precisa estar em pauta. O nosso cineclube no interior de Minas Gerais exibiu diversas obras que não foram contabilizadas. Temos também que pensar em eleger uma bancada da pipoca pra gente dialogar e atingir o outro lado político”, destacou Iano Almeida, idealizador do Programa É Tudo Criança e membro fundador do OBA!.

Mediadora do Encontro, a gestora e pesquisadora da Cultura Infância, Isabela Silveira lembrou que o apagamento epistêmico da infância começa com o apagamento das crianças em diversos sistemas. “As infâncias constroem junto com a gente as formas do país funcionar. Mesmo em bons momentos de governos anteriores, o recado é que a infância fica no fim da fila. E isso tem impacto para todos”, destacou Isabela.

Programação completa da 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis: confira todos os filmes e atividades da edição.

Siga a Mostra nas redes: Instagram / Facebook / YouTube


Publicado em 09 outubro 2026


Peça gráfica institucional, em fundo branco, reúne logotipos de apoiadores da Mostra. Em “Apoio cultural”: Lei Rouanet, ABRA — Associação Brasileira de Autores Roteiristas, Cinesolar, NICA e Prefeitura de Florianópolis — Educação. Em “Incentivadoras”: Urbano Alimentos, Celesc, Condor e ICBH — “Construindo para o futuro”. Em “Patrocínio”: ENGIE e Itaú. Em “Realização”: LUME Produções Culturais, Núcleo de Ação Integrada e Ministério da Cultura, acompanhado da bandeira do Brasil. Na base, lê-se: “Este projeto foi viabilizado por meio das Leis número dezessete mil novecentos e quarenta e dois, de doze de maio de dois mil e vinte, e número quinze mil setecentos e quarenta e seis, de onze de janeiro de dois mil e doze.”


Mostra de Cinema Infantil
Acessar o conteúdo