O peixe astronauta de Célia Catunda


A abertura da programação para crianças e adolescentes da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis foi com a pré-estreia do “Peixonauta – O filme”, com direção de Kiko Mistrorigo, Rodrigo Eba e Célia Catunda, que veio para a Capital Catarinense especialmente para o evento.

Já conhecido das crianças, o Peixonauta está desde 2009 nas telas da tv e agora chega nas telonas, dessa vez numa missão mais complexa, que envolve salvar a humanidade com um antídoto distribuído na cidade através da chuva. O peixe fora d’água, astronauta, guia o espectador numa aventura que valoriza o trabalho em equipe, o respeito ao diferente e o amor ao próximo.

Confira, nas palavras da própria diretora, como foi nascimento desse personagem tão querido pelos pequenos.

 

 

“Peixonauta – O Filme” é o primeiro filme dirigido por Célia Catunda, mas é claro que sua trajetória profissional não começou agora. Confira o que ela contou para a equipe da Mostra sobre o seu trabalho.

 

QUANDO TUDO COMEÇOU

A minha trajetória começou com as séries para TV, quando resolvi fazer animação, e resolvi isso muito cedo – com 14 anos, porque eu já gostava de desenhar. O motivo disso é que, especialmente naquela época, o cinema não era tão presente. Todos esses filmes de animação que a gente têm hoje não existiam. E os filmes da Disney, de animação, estavam cada vez com menos público. Foi um momento em que o cinema estava meio em baixa. Eu gostava muito da TV, e ainda gosto, porque é uma coisa que chega para um número muito grande de pessoas. Eu gostava das séries da Hanna-Barbera e me frustrava por nenhuma delas ser brasileira. A gente tinha algumas produções que começaram mais tarde. Quando eu assistia TV, e era criança, não tinha. Tinha o Maurício de Souza que era mais história em quadrinho, começou a ter um filme ou outro. Então meu sonho era fazer série de TV porque estava no dia a dia das crianças. Elas chegam da escola, ligam a televisão e assistem. Foi aí que eu resolvi fazer. E eu nem imaginava que era algo tão difícil quanto foi. Isso é o legal de quando somos jovens, a gente acha que é tudo bem fácil (risos).

 

PRODUZINDO PARA CINEMA

A gente fez um primeiro filme do Peixonauta, mas não era um filme para cinema. Foi uma coletânea de episódios lançada no cinema. É a primeira vez que a gente está fazendo um filme para cinema. E tem o outro filme que estamos produzindo, que é a “Tarsilinha”. Já faz uns dois anos que estamos produzindo esses dois filmes, porque a questão do financiamento é muito demorada. Então para montar o financiamento, ter uma distribuidora, para conseguir articular tudo isso foi muito complicado, basicamente porque a distribuição ainda é uma parte que ainda não está bem resolvida. Mesmo filmes brasileiros de animação que foram sucessos de crítica, foram premiados, não encontram muito espaço nas salas de cinema. Isso é uma coisa que me preocupa. Com o Peixonauta, vamos fazer o máximo possível para manter o filme mais tempo no Cinema, para conseguir chegar nas crianças, que é um problema que não existe com a TV. Então é uma coisa nova para a gente.

 

CINEMA PARA INFÂNCIA X VALORIZAÇÃO DA INDÚSTRIA

Eu sou a maior fã das crianças. Me divirto muito com elas. E a memória da minha infância é muito forte: eu lembro de coisas que me intrigavam e me divertiam quando eu era criança. Recorro muito à infância dos meus filhos também, que agora já estão grandes. Me inspiro nas crianças em geral, como aqui eu bati-papo com as crianças e o olhar que elas têm é maravilhoso. Eu acho um privilégio poder produzir para criança. Mas tem uma questão contraditória aí. As coisas feitas para crianças não são valorizadas. É como o último elo da cadeia alimentar: tem o cinema e o cinema infantil, tem televisão e a televisão infantil. A música também tem isso: tem a música e a música pra criança. E no entanto, essa produção para a criança muitas vezes dá mais retorno e movimenta mais a economia do que as produções para adulto, porque a criança não assiste uma vez, ela assiste 100 vezes uma coisa. Então a indústria tem uma visão distorcida, como se fosse uma arte menor, mas os filmes infantis são as grandes bilheterias.

Texto: Letícia Kapper
Fotos: Kélen Oliveira

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