O nó da distribuição


Solange Lima, do CNPC: pela democratização do acessoNesta sexta, 11 de julho, das 9 às 18 horas, a 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis promove o 2º Fórum de Políticas Culturais voltadas para a Infância, no Centro Integrado de Cultura (CIC). Em debate, a democratização do acesso ao cinema, o uso do audiovisual nas escolas e a apropriação das mídias pelas crianças, entre outros assuntos.

O Fórum vai contar com a participação de Alemberg Quindins, da Fundação Casa Grande (CE); Âmbar de Barros, da TV Cultura (SP); Ilona Hertel, do Serviço Social do Comércio (Sesc/SP); Solange Lima, do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), e do Padre Vilson Groh, que atua com inclusão social de crianças na capital catarinense.

“Quero propor uma discussão sem medo sobre soluções criativas para distribuir a produção brasileira de cinema às crianças”, diz Solange Lima, que também preside a ABD Nacional (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas). Para ela, há um nicho imenso a ocupar e as pessoas querem ver cinema infantil, mas o mercado não tem atendido a demanda. Solange observa que o problema afeta a grande maioria dos filmes nacionais, que não encontram janelas de distribuição.

Pirataria e internet

O preço alto dos DVDs é outro impeditivo para a popularização do cinema brasileiro, o que termina levando à pirataria. “A pirataria é tão organizada que, se a gente não entender como funciona esse mercado e buscar alternativas de distribuição, não há como competir”, constata. “Só 8% dos brasileiros vão a salas multiplex; os demais ou vão à locadora de vídeo ou estão pirateando”. Solange cita sua cidade, Lençóis (BA), que tem 9 mil habitantes, dos quais só 3,5 mil na zona urbana: muitos filmes infantis não disponíveis no mercado estão à venda em cópias piratas nas calçadas da cidade baiana.

Ela propôs ao Conselho Nacional de Cinema que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) aplique parte de sua verba para a divulgação da imagem do cinema brasileiro na mídia. “Isso é papel do governo brasileiro, e cabe às entidades como a ABD fazer uma campanha para que o brasileiro compre filmes e não pirateie. Mas a 45 reais o DVD não dá, não é?”

A conselheira do CNPC acredita que a internet é o caminho para fazer com que o cinema infantil nacional chegue a mais crianças, em especial nos municípios pequenos. Outro caminho possível é que os produtores prensem seus DVDs, paguem os impostos e façam a distribuição em pontos de venda como postos de gasolina, a exemplo do que já fazem, com sucesso, alguns cantores e bandas de música popular.

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