Projeto Pipoca: fazer cinema e se ver na telona

Projeto Pipoca: fazer cinema e se ver na telona


Apagaram-se as luzes no cinema do CIC e ficou a expectativa de o filme começar. No público, crianças em situação de vulnerabilidade social, participantes de projetos de ONGs de Florianópolis. Em fim as primeiras imagens do curta-metragem O Balãozinho Azul, de Faustón Silva, surgiram na telona, novidade para muitos.

“Hoje cinema é caro e nem todo mundo tem acesso. A Mostra de Cinema Infantil ajuda nesse sentido, mas precisaria ter mais iniciativas como essas”, reflete a professora do projeto Esperança, Claudia Inês Pozza, plateia junto aos alunos do projeto que atende comunidades como Morro do 25 e Morro do Horário.

Mas a sessão promovida pela Mostra em parceria com o Projeto Pipoca, do Instituto Lagoa Social, estava só começando. O filme que iria mexer ainda mais com os espectadores estava por vir: Vamos contar uma história de Natal, realizado por crianças e adolescentes da Casa de Acolhimento Darcy Vitório de Brito e pelo Projeto Pipoca. O curta-metragem arrancou risos e suspiros do público.

O ficção filmada no Mont Serrat conta histórias de Natal – que vão de romances ao terror – narradas por dois personagens. Além da narrativa que é bem dinâmica e criativa, outro ponto chama atenção nessa produção: o roteiro, a produção e a direção foram processos coletivos, coordenados por Gustavo Soares e Maia Silva, ambos do Projeto Pipoca. Foram as crianças e adolescentes da Casa de Acolhimento que atuaram no filme também.

Anityan Cibele de Paula da Rocha, 17 anos, foi uma delas. Ela escreveu uma das histórias que compôs o curta e atuou como narradora. “No início fiquei nervosa”, conta a jovem que está prestes a deixar a Darcy Vitório de Brito, já que logo atingirá a maior idade. Ela, que pretende continuar exercitando seu lado criativo, conta que gosta de escrever poesia. “Tenho muitas guardadas”, confessa.

No total, calcula Soares, foram cinco meses de trabalho para o filme ficar pronto. E nesse tempo, muitos processos de aprendizagem aconteceram, o que fica evidente no filme. Algumas partes da ficção fazem referência ao cinema mudo, a partir da imagem em preto e branco, música ao fundo e legendas curtas em letras garrafais entre uma cena e outra. “Fazer o filme aconteceu naturalmente e com aprendizados. Mostramos algumas técnicas do cinema, como por exemplo a câmera subjetiva”, destaca Soares.

 

Como tudo começou

Tudo começou com o Projeto Pipoca levando cinema para a Casa de Acolhimento Darcy Vitório de Brito, um dos cinco orfanatos do Instituto Pe. Vilson Groh. “As crianças começaram a pedir para estarem nos filmes que assistiam”, relata Paula Freire, presidente do Instituto Lagoa Social. “E então decidimos encarar o projeto. Como na Casa já estavam pensando no Natal e escrevendo cartas para o Papai Noel, resolvemos fazer os pedidos em audiovisual”, explica Gustavo Soares. “E eles me impressionaram pela vontade que tinham de fazer o filme”, enfatiza ele, que coordena e é o idealizador do Projeto Pipoca.

Levar cinema para crianças e adolescentes que não têm acesso a ele é “uma forma de abrir caminho para que conheçam a arte e a cultura”, acredita a professora do projeto Esperança, Claudia Inês Pozza.

Já fazer cinema desenvolve a criança, faz refletir. “E todo mundo tem uma história para contar. E o cinema é uma forma de a gente se expressar e depois mostrar para os outros”, explica Luiza Lins, diretora da Mostra de Cinema Infantil, às crianças presentes na sessão de cinema no CIC, nesta sexta, dia 12.

 

Foto: Daniel Conzi

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