Encontro debate produção audiovisual latino-americana


Em média, as crianças brasileiras dedicam até cinco horas por dia à programação televisiva. Isso sem contar o tempo destinado às demais plataformas midiáticas e digitais, como telas e tablets. Beth Carmona, com vasta experiência na produção de conteúdo infanto-juvenil em canais como Discovery Kids e Gloob e também à frente da TVE do Rio de Janeiro, falou com produtores e profissionais do mercado audiovisual sobre a experiência da América Latina na produção e distribuição de conteúdos infantis e outras iniciativas de fomento para essa produção. “Como a gente desconhece a América Latina e tem tanta coisa para descobrir”, disse Carmona no 1º Encontro da Indústria Criativa da Região Sul – Animação, Games e Conteúdo Infantil, que acontece até o próximo sábado, 27, na ACATE.

“Grande quantidade dos conteúdos audiovisuais produzidos pelos Estados Unidos e pelos países europeus são consumidos em massa na América Latina”, afirmou, reforçando a importância de iniciativas como as que acontecem no Brasil, Chile e Colômbia para produção de conteúdo infantil. “O Chile tem desenvolvimento imenso em animação e há 16 anos eles conseguem dinheiro para produzir”.

Da experiência colombiana, Carmona reforçou a compreensão nacional e regional no trabalho em produções e coproduções, que por meio de fundos e editais de fomento para a produção independente trabalham políticas públicas de comunicação para a infância.

Já a vizinha Argentina, que não tinha histórico de produção infantil, levou ao ar em 2010 o canal PakaPaka, primeiro canal público infantil do Ministério da Educação. Com 24 horas de produção, “o canal tem grande clareza de posicionamento e produção independente”, reforça Carmona.

Sobre festivais

“A importância da qualidade dessas experiências é vital”, disse Carmona sobre os festivais e fóruns. Para ela, são iniciativas que têm auxiliado a educação complementar, com utilização do audiovisual em sala de aula. “O conhecimento da linguagem do audiovisual passa a ser um conhecimento tão importante quanto às aulas de matemática para o pensamento crítico. E, de certa forma, tem acontecido uma compreensão maior sobre o papel desses festivais como grupos de articulação, disse.

Hoje, no Brasil, destacam-se três boas mostras de audiovisual para crianças: Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Fici (Festival Internacional de Cinema Infantil) e Prix Jeunesse Ibero-americano, este iniciativa do comKids que tem Beth Carmona como diretora-geral.

Da indústria convencional à indústria criativa

Também nesta terça-feira, que marcou o terceiro dia do Encontro da Indústria Criativa da Região Sul, foi apresentado o case Mundo Ripilica. Líder no segmento de confecção infantil e franquias do Brasil, o grupo catarinense Marisol S.A. entrou no mercado de animação em novembro passado com a série Mundo Ripilica: As Aventuras de Lilica, a Coala, exibido com exclusividade no canal Discovery Kids. Foram três anos de preparativos e investimento de R$ 4 milhões para levar o projeto às telinhas. Rui Okusako, Beth Carmona e Vanessa Fort, que deram vida à Lilica, debateram a experiência com profissionais do setor.

A série, animada em 3D, foi criada a partir do desejo da marca Marisol de se conectar com o público infantil por meio do entretenimento. Trata-se de um projeto especial de Branded Content para o público infantil no Brasil.

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