Cinema para jovens em debate


Cinema para Jovens, um assunto essencial no contexto da aprovação da recém-aprovada lei que determina a exibição de pelo menos duas horas mensais de filmes brasileiros nas escolas, esteve em debate no 6º Encontro Nacional do Cinema Infantil. O evento integra a programação adulta da 9a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, realizado na tarde do último domingo, 27 de junho,reunindo a diretora do filme “Antes que o mundo acabe”, Ana Luiza Azevedo, a produtora do filme “Desenrola”, Clélia Bessa, o distribuidor Abrão Scherer, da Imagem Filmes, e o diretor e roteirista André Tavares, da ONG Cinema Nosso, para falar do assunto. A mediação foi do jornalista Francisco Cesar Filho, presidente do Fórum de Festivais, entidade que reúne os principais eventos audiovisuais brasileiros.

O impacto da nova ordem digital sobre universo de telespectadores foram um dos assuntos abordados, com base em dados da comScore Video Metrix. Segundo levantamento da empresa, no mês de maio foram assistidos 14,6 bilhões de vídeos no youtube, por 144 milhões de internautas. Clélia Bessa segue essa tendência, para garantir a atenção dos jovens, desenvolvendo ações na web para “Desenrola”, que tem direção de Rosane Svartman. “Ele foi todo produzido na rede”, conta destacando sua experiência com o projeto que teve a internet como ponte entre o cinema e o espectador. A produção abriu a possibilidade para o público enviar vídeos e concorrer a uma participação no filme, além de promover um canal aberto nos fóruns de discussão, blogs e games.

Para chegar ao público antes do lançamento de “Antes que o mundo acabe”, Ana Luiza Azevedo, promoveu leituras entre jovens, procurou atores dentro das escolas e alimentou o roteiro com as improvisações. Mesmo sendo sócia da Casa de Cinema – produtora gaúcha que tem tradição em fazer filmes do gênero – Ana Luiza sente as dificuldades do mercado. “Tudo muda muito rapidamente, então nunca sabemos ao certo como lançar um filme, por isso deixamos para os distribuidores”. A diretora considera complicado brigar contra o universo digital. “Meu filho baixa filmes inteiros, longas inclusive, e vê tudo. Ele tem todos os discos, com capinha e tudo, e não comprou nada”, conta. “O nosso papel é fazer com que filme exista: lançamento é um momento extremamente angustiante”, afirma. O filme conta com um projeto pedagógico e até 15 de julho, será visto por 4,5 mil dos 25 mil alunos da rede municipal de Porto Alegre.

Uma experiência interessante destacada por André Tavares é a da organização social Cinema Nosso, da qual faz parte. A ideia é ampliar o universo cultural e contribuir para o desenvolvimento do senso crítico de crianças, adolescentes e jovens oriundos das classes populares através da linguagem audiovisual. Eles desenvolvem experiência de produtora-escola, com formação que envolve processo de captação, finalização, distribuição e divulgação. “Ganhamos edital e estamos fazendo estudo com a PUC/RJ para transformar episódios em séries e trabalhar roteiro de longa-metragem”, comemora. Tavares exibiu a animação “Família Vegan”, sobre uma família vegetariana, na Mostra Competitiva do evento. “O episódio foi feito para sentir mesmo, para ver como funciona e buscar técnica melhor”, conta.

Outra dificuldade enfrentada, destacada por Abrão Scherer é a pirataria. “O filme estreia e na outra semana é vendido de porta em porta. A distribuição da pirataria é uma das mais eficientes do mundo. Assim que as políticas de defesa da propriedade intelectual forem valorizadas a gente vai resgatar nossas receitas”, considera. Ele celebra as coproduções internacionais para os lançamentos e o empenho da União Européia e da América Latina para ativá-las. “Este é o caminho mais viável”, afirma.

Crédito das fotos: Cleide de Oliveira
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