A caminho do circuito comercial


O longa A Família Dionti, do carioca Alan Minas, está previsto para entrar no circuito comercial no segundo semestre deste ano, e faz uma carreira de sucesso em festivais do Brasil e exterior. Exibido na Mostra de Cinema Infantil no sábado no Teatro Pedro Ivo, o filme encantou o público.

O estilo do longa tem sido classificado por espectadores e crítica como realismo mágico, mas o diretor prefere assimilar este apontamento como uma segunda camada de leitura de A Família Dionti, embora ele seja leitor de Gabriel Garcia Marquez, um dos expoentes do realismo fantástico.

Alan enxerga seu próprio filme por uma via poética própria e este vínculo talvez seja estabelecido por por suas leituras da obra de Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Mia Couto…

Com quatro prêmios importantes, que incluem Melhor Filme segundo o júri popular nos festivais de Brasília e Festin, de Lisboa, Melhor Filme na Mostra de Cinema de Gostoso (RN) e Melhor roteiro no Youngabout –Internacional Filme Festival de Bologna, A Família Dionti ainda concorre em outras mostras competitivas.

O longa foi inscrito em festivais para adultos e fez sucesso na Mostra entre jovens e crianças, demonstrando que um bom filme pode cativar pessoas de qualquer idade e nem sempre cabe em classificações etárias.

A Família Dionti retrata uma família composta pelo pai e dois filhos adolescentes que vive nos rincões de Minas Gerais. A mãe desapareceu. Derreteu-se de amor. Por outro homem? Os garotos vão à escola, ajudam o pai nas tarefas de casa, brincam, jogam futebol. Um deles se apaixona por uma garota que chega à cidade. É possivelmente a descoberta do amor por ambos.

O menino derrete-se de paixão pela menina. Diante disso, os receios do pai vem à tona. Ele – que espera todos os dias que sua amada volte – começa a temer que seu caçula também parta ou que tenha herdado as características da mãe, de desmanchar-se de amor.

O filme é repleto de metáforas, elaboradas com criatividade num filme, interpretado por atores e não atores. Embora carioca, Alan tem um forte vínculo com o interior e A Família Dionti faz uma reconexão com elementos da natureza, o ar, a água, o vento, a terra. O ambiente interiorano foi escolhido pelo diretor para dar um tom mágico à narrativa, que conduz o espectador por vias inesperadas e felizes.

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